Latinhas do Bob
  

Kaiser (Áustria, 500ml), Cristal (Portugal, 330ml)

e Skol (Holanda, 440ml)

Ahá! Aposto que se eu não tivesse colocado o País de origem dessas latinhas, os incautos que só lessem o título acabariam achando que são todas brasileiras. Pois é, quando era moleque descobri que também existem cervejas clones. Quem copiou quem? Não faço a menor idéia. Qual é melhor, a estrangeira ou brasileira? Infelizmente, tenho de dizer que não lembro. Já faz muito tempo que tenho essas latinhas, bebi as três, é verdade, mas não devem ter sido especialmente boas nem ruins. Mas o bom-senso nos dá algumas pistas:

1) Kaiser: apostaria na versão austríaca de olhos fechados (já ironizando o teste proposto pela fábrica da versão tupiniquim, que quer provar que deu um jeito no seu produto). Nada pode ser pior que a Kaiser brasileira, que, malemal, pode se orgulhar apenas da Kaiser Bock (e olhe lá).

2) Cristal: os portugas não são lá mundialmente conhecidos como mestres cervejeiros (eu apostaria mais nos vinhos da terrinha), mas também devem levar vantagem. A versão brasileira é bastante aguada. A nossa Crystal (com 'y' mesmo, ô mania de enfeitar nome...daqui a pouco é capaz de rebatizarem a outra de  'Bawwárya', e a outra de 'KarahCool'), para piorar, tem como garoto-propaganda Daniel, o sertanejo peludo e pelado (vai levar anos para esquecerem a propaganda da cuequinha, Emerson Leão que o diga). Ninguém merece. O slogan ainda era "Quem acha que cerveja é tudo igual não conhece Crystal", mas podia ser "O fundo do poço tem fundo falso", ou "A luz no fim do túnel é a da locomotiva". Maldade com a cerveja, vá, não é tão ruim assim...

3) Skol: Acho bem pouco provável que a Skol brazuca perca da holandesa. De derrota para os Países Baixos já chega a da Copa de 1974. A versão gringa eu trouxe do Paraguai, por incrível que pareça.

Cotação: de um a cinco, dois a um para as gringas. Mas, em um time que tem um craque e dois pernas de pau, esperar o quê? Aproveitando as referências futebolísticas, aí vai uma para o Zagallo, que gosta tanto: "Breja Meia Boca" tem 13 letras. Aposto que é mais fácil engolir o velhinho que essas duas quadradas. É ECA! É ECA! Ops! Quero dizer: É HEXA! É HEXA!     



Escrito por Bob às 14h28
[] [envie esta mensagem]


 
  


Chopp Germânia Escuro (Brasil, 5 litros)

Esta lata (ou latona, melhor dizendo), parafraseando o nobre ex-deputado Roberto Jefferson, "provocou em mim os instintos mais primitivos". Pena que tivessem que ser justo os mais absurdos e não, por exemplo, o do homem das cavernas que inventou a roda ou descobriu os usos do fogo. Para começo de conversa, quando comprei a lata, carreguei ela na mão uns bons 3km; se fosse numa mochila, tudo bem. Mas era numa daquelas sacolas de plástico que só dá para carregar em uma mão de cada vez. Cheguei em casa de gravata vermelha, por assim dizer.
Depois, quando abrimos a lata, o problema: ela só pode ser consumida com qualidade em 24 horas. Para aproveitar o melhor da qualidade, eu, minha esposa e uns amigos decidimos tomá-la de uma vez. Acho que bebi bem uns 2,5 litros, quase 3, de cerveja escura nesse dia. A Germânia é muito boa, mas haja sangue para manter as proporções normais de álcool no organismo. Voltei para casa "zuzobem".
A melhor parte, porém, ainda estava por vir. Perto do finzinho, acabou o gás na lata, que ainda tinha um fundinho de cerveja. Para um bebedor normal, tudo bem: a lata vai para o lixo mesmo. Mas para o colecionador, é o pior que pode ocorrer.
Pensei, pensei...e de início tive a idéia mais imbecil: fazer uma respiração boca-a-lata. Tentei assoprar ar pela entrada da parte de cima, para ver se empurrava a cerveja pelo tubo de saída. Não deu certo. Tentei inverter a posição, e nada. Depois de uma meia hora "estuprando" a lata, decidi mudar de tática.
Então, tentei encher a lata d'água, para ver se aumentando o volume de líquido, ela esguichava tudo. Nada. Já pensando nas gambiarras, joguei Listerine (antibacteriano bucal) dentro dela e deixei uns dias no sol. "Agora vai", pensei. Nada de novo. Perdi a paciência e, com uma chave de fenda, tirei o pino superior da lata. Vitória. Dentro, um puta cheiro de Listerine. Lavei e guardei. É a única latona que tenho. Ainda estou me recuperando para comprar - e tomar - a próxima.
Cotação: de um a cinco, três latonas e meia pela cerveja. De um a cem, -25 para o QI deste que escreve.



Escrito por Bob às 14h13
[] [envie esta mensagem]


 
  


Conhaque Domus (Brasil, 350ml)

 

Poucas bebidas me trouxeram uma memória imediata tão rápido quanto esta. Não que isso seja algo bom, claro. Mas, logo que dei o primeiro gole, lembrei daquele desenho em que o Patolino é o xerife da cidade e chega o bandido (chamado Nasty Canasta, um sujeito 5 vezes maior que ele, claro) no bar e pede um drinque. O garçom até coloca uma máscara de soldador para preparar a bebida, com direito a explosões e misturas de garrafas com caveira e ossos. O vilão toma o drinque e a única coisa que acontece é que seu chapéu dá uma cambalhota e cai na cabeça de novo. O Patolino manda o Gaguinho, assistente de xerife, tomar e nada acontece. Então ele também toma. Segundos depois, os dois estão verdes, explodindo e cantando "Mary tinha um carneirinho"...
Pois então, havia comprado a lata em agosto, ainda nas minhas férias - em um mercado na Vital Brasil, no Butantã -, mas não tinha, até agora, criado coragem. Hoje, quando cheguei em casa e abri a geladeira, olhei para ela, ela olhou para mim, e o resto dá para imaginar (putz, que papo mais alcoólatra). Quando bebi um pouco do Domus, o efeito foi o mesmo. A princípio, normal. Mas é um negócio muito forte, e provavelmente a lembrança do Patolino deve ter sido efeito alucinógeno (por que diabos um episódio de desenho tão obscuro se torna, num instante, mais claro que outros clássicos, como o Pica-pau descendo as cataratas de barril e as pessoas de capa amarela gritando, ou o Coiote caindo do abismo e gritando iii-hu-huuuuu?) Não cheguei ao fim da lata. O tal conhaque de gengibre é mesmo forte, desce queimando. Para rebater, uma Bavaria (eca) e uma Skol.
Cotação: de um a cinco, dois gorós pelo sabor; no Velho Oeste, faria sucesso. E também muitos chapéus darem cambalhota. E, de um a cinco, Patolino de ouro pela lembrança bizarra, ainda sob os efeitos dos 38% de álcool da nobre bebida.



Escrito por Bob às 14h13
[] [envie esta mensagem]


 
  


Vinho Natal Frisante (Brasil, 350ml)

Essa é uma das histórias mais patéticas em que já me meti para conseguir uma latinha. Estava em Barretos quando decidi ir à rodoviária comprar a passagem de volta. Como de costume, por onde ando olho para os lados já com a vista treinada para achar latinhas e garrafas, e, melhor ainda, exemplares que eu não tenho.
Já dentro da rodoviária, passei em frente a um boteco e dei de cara com essa latinha, escondida em uma estante, entre outras bebidas mais "banais". Como era domingo à noite, só uma tiazinha tomava conta do local. Encostei no balcão e disse que queria uma latinha de Natal. Ela respondeu que sentia muito, mas que só tinha a da estante e ela estava vencida há 2 anos.
Argumentei que, mesmo assim, queria levá-la, pois tinha coleção. A dona a princípio estava irredutível, mas comecei a contar uma história para boi dormir, que era de São Paulo, que provavelmente nunca mais acharia uma latinha daquelas e que era triste sair de mãos abanando. Resultado: a mulher ligou para casa e começou a cochichar com o marido, que, provavelmente, assistia aos gols do Fantástico. O mais ridículo não é nem a insistência em si, mas o fato de que eu estava de dedos cruzados torcendo para que o infeliz mandasse a mulher vender logo aquela porcaria de latinha e o deixasse em paz.
No fim, ela cedeu. Mas cobrou um precinho "camarada": R$ 2, por um vinho frisante vencido, que, mesmo se estivesse na validade, um sujeito com o mínimo de bom senso pensaria duas vezes antes de ingerir. O conteúdo foi para a pia, a latinha foi para a coleção. E meu senso de ridículo foi para as cucuias.
Cotação: de um a cinco micos, um gorila.



Escrito por Bob às 14h12
[] [envie esta mensagem]


 
  


Refris em garrafa de vidro

(Brasil, tamanhos diversos)

Ok,ok. Antes que alguém venha com a ridícula questão "Mas o nome do blog não é Latinhas do Bob?", gostaria de dizer quetambém coleciono rótulos e tampinhas. Primeiro, porque algumas cervejas e refrigerantes não são fabricados em lata. Além disso, depois de alguma observação resolvi abraçar uma causa: salvar a memória de uma espécie cada vez mais condenada à extinção: refrigerantes em garrafa de vidro.
Depois que inventaram as garrafas pet, de plástico, é cada vez mais difícil encontrar um refri em vidro e, por tabela, um rótulo de papel bonito. Tudo bem, talvez os exemplos acima não sejam os melhores, mas fazer rótulos bacanas e artísticos em papel era comum há alguns anos.
O caso do refrigerante Jaboti é um exemplo: estava andando na rua em Barretos e, literalmente, tropecei em uma tampinha dele. Assoprei a poeira e levei para casa, mas não achei na cidade nenhuma garrafa. Perguntei à minha cunhada, que é de Jaboticabal, onde o Jaboti é fabricado (esse, ao contrário da cerveja Rio Claro, feita em Socorro, leva a cidade no nome). Ela disse que praticamente não havia mais garrafas de vidro, mas, com algum esforço, o pai dela achou duas, bem escondidinhas, em um boteco.
Os guaranás Piracaia e Joaninha vão pelo mesmo caminho. Quando fui a São Luis do Paraitinga, só via garrafas pet. Até que entrei em um boteco e achei as de vidro. Estavam tão nojentas e empoeiradas, encostadas em um canto, que deixei de molho em água fervendo antes de abrir. E a dona do bar ainda deixou uma se espatifar no chão. Mas valeu a pena. Ao examinar os refris, notei uma coisa engraçada: as garrafas eram de Cerveja Antarctica (havia marcação no vidro), apenas com rótulo e tampinha aplicados.
Quando fui pesquisar a origem do Guaraná Joaninha, achei uma história interessante: ele é contemporâneo de uma moça de Taubaté chamada Joana Martins Castilho, que se tornou a mais jovem piloto e acrobata aérea do mundo, aos 14 anos, na década de 40. Li em um jornal que o guaraná usou a imagem de Joana, com capacete de aviadora. Depois que a família questionou o uso da imagem, mudou o rosto da modelo. Mas a associação já havia se cristalizado. Hoje o refri é vendido pela Piracaia, a mesma do Guaraná Piracaia (que tem gosto de Antarctica).
Por fim, enquanto procurava o Guaraná Jaboti, em Barretos, trombei com esse exótico refrigerante de maçã Don, de Ribeirão Preto. Gotouso! Mas tem gosto de guaraná.
Enfim, o pet pode ser mais barato e, reciclado, dar origem até a camisetas. Mas as garrafas de refri de vidro, e por tabela os rótulos de papel, são clássicos. Se alguma cair em suas mãos, guarde. Pode ser a última de sua espécie.



Escrito por Bob às 14h11
[] [envie esta mensagem]


 
  


Pitu e Pitu Limão (Brasil, 350ml)

Conheci a latinha do Camarão que vem cheia de Cátia(ça) de um jeito curioso. Estava eu entrevistando um certo político para uma certa série de perfis quando o sujeito em questão - famoso pelo jeitão folclórico e tiradas ao microfone como "isso é expressionante" - me disse que tinha um projeto para obrigar todos os fabricantes de bebida a "selar" suas latinhas, por conta daquele famoso e-mail que diz que o bocal do refrigerante é mais sujo que banheiro de rodoviária, que um cara que bebeu sem limpar a lata morreu etc. Perguntei se, além do e-mail, o nobre político havia usado algum outro exemplo. Para quê: o elemento abre o armário do gabinete e tira uma caixa com umas 24 latinhas de Pitu. "Tirei daqui. Sempre mando trazer umas de Pernambuco." E me deu uma latinha. Pensei em experimentar, mas quando olhei a bunda da lata mudei de idéia: estava vencida há um ano. Logo imaginei o porquê de o nobre edil entrar maquinado muitas vezes em plenário.E me vieram à mente alguns slogans que ele poderia usar em campanha, mas nenhum tão genial assim para vender a idéia: "Fulano, com você até a última gota". Ou "Pela garantia de Cana Mínima, vote Fulano". Ok, a última: "Fulano, 5% com você (ou 10%, no caso de vinho; para eleitores mais exigentes, "40% com você", já na casa do absinto e do Álcool Zulu).
A latinha Limão ganhei do chapa Elenildo, que a viu num bar no aprazível bairro de Taipas e não teve coragem de beber. Passou-a a um amigo, que decidiu fazer o teste. E logo percebeu o potencial aromático-terapêutico da bebida (versão educada para "essa porra fede para caralho e ainda me deu uma puta caganeira"). Outro colega do Elenildo, mais experimentado (leia-se cachaceiro mesmo), achou a Pitu "aguada e fraca". Na média, duas avaliações negativas. Vou confiar na opinião alheia...
Cotação: de um a cinco, um delirium tremens.



Escrito por Bob às 14h06
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Coleções e miniaturas, Política


HISTÓRICO
 08/07/2007 a 14/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 22/01/2006 a 28/01/2006
 15/01/2006 a 21/01/2006
 08/01/2006 a 14/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 25/12/2005 a 31/12/2005
 18/12/2005 a 24/12/2005
 11/12/2005 a 17/12/2005
 04/12/2005 a 10/12/2005
 27/11/2005 a 03/12/2005
 20/11/2005 a 26/11/2005
 13/11/2005 a 19/11/2005
 06/11/2005 a 12/11/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005



OUTROS SITES
 Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas - AcervaCarioca
 Associação de Incentivo à Cultura de Cervejas Artesanais e Especiais - AICCA
 Botto Bier
 Cerveja Fraga
 Bytes and Beer
 Cerveja Só
 Dana Bier
 Edu Passarelli Recomenda
 Hummmm, Cerveja!!!!!
 Obiercevando
 Olavo Pascucci (atenção: linguagem assaz obscena)