Latinhas do Bob
  

OPA Bier (BRA, Chopp Pilsen)

Cheguei a Joinville já à noite. Passeios turísticos, compras e gastronomia? Nem pensar. Na cidade em que quase comecei mal minha terceira incursão a Santa Catarina, passei cerca de três horas, o suficiente para experimentar a OPA Bier. Ela abriu há alguns meses na cidade, que ficou uns bons anos “órfã” no setor após o fechamento da Antarctica, famosa pela água com a qual era produzida. A cervejaria, que também é distribuidora, estava vazia quando botei os pés nela, por volta de 21h. Pedi logo um chope – eles só fabricam o pilsen – e uma porção de filé mignon, porque aquele sanduba “da nutricionista” de Pomerode não deu nem para encher o buraco do dente. É um chope leve, meio adocicado, diferente dos outros que tinha provado, mais fortes e um pouco mais amargos. Como já tinha tomado outras cervejas no dia, gostei. Quando fui embora, umas 22h, o lugar já estava mais cheio. Saí com um pacote de bolachas da OPA, cedidas gratuitamente (uma boa lição para algumas cervejarias). Antes de embarcar para São Paulo, ainda deu tempo de comprar uma Kaiser Gold em lata na rodoviária. A nota de repúdio é que ninguém nunca tinha ouvido falar na cerveja Kilsen, produzida na região. Porcarias como Schin, Kaiser e afins, porém, havia aos montes. Voltei com sensação de que poderia ter visto mais, afinal, ficaram faltando a Alpenbier, de São Bento do Sul, o Chope Ilhéu, de Florianópolis, e a coleção de canecas do Leonardo Boesing em Treze Tílias(essa deu vontade de me socar, porque passei a apenas alguns metros dela, sem saber que estava lá).

Cotação: de um a cinco, quatro para a cerveja e uma dúzia de planos de continuar conhecendo pequenas cervejarias pelo Brasil.

Som do post: “Beer Barrel Polka"

Link: http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=beer+barrel¶m1=homebusca&check=musica



Escrito por Bob às 02h17
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Schornstein (Pilsen, Pilsen Cristal,

Pilsen Fest e Schornbier Bock)

Depois de andar uns bons quilômetros debaixo de um sol escaldante (inverno?), cheguei na Schornstein, a cervejaria recém-inaugurada de Pomerode. O nome, em alemão, quer dizer “chaminé”. E é justamente o que tem no lugar, uma antiga fábrica de caldeiras. O relógio marcava 15h55, e o jogo de Portugal contra a Holanda estava para começar. Tinha, porém, um contratempo: precisava tomar não apenas todos os tipos de cerveja disponíveis na fabrica, mas também o ônibus das 17h50 para Joinville. Ou seja, tudo indicava uma correria semelhante à da partida, já que ainda precisava ir ao hotel e pegar as tralhas, como bagagem e garrafas de cerveja.

Antes da comida chegar (um sanduíche chamado “Da Nutricionista”, light, quase um acinte para quem ia tomar mais de um litro de breja na seqüência), já havia matado a Pilsen, forte e não-filtrada. Depois, emendei com a Pilsen Cristal (boa, mas a outra é melhor) e a Pilsen Fest (mais ou menos). A essa altura, Portugal já havia marcado 1 a 0 e suava para segurar o placar. Na sobremesa, pedi um apfelstrudel e, para acompanhar, uma Schornbier (bock), essa sim a melhor do quarteto. Antes da pancadaria e das expulsões começarem, eu já tinha terminado com quatro cervejas em mais ou menos uma hora e dez; recorde de Copa é isso aí.

Comprei uma camiseta da cervejaria e, pasme, descobri que eles já adquiriram maus hábitos: cobram R$ 5 por 12 bolachas, prática só vista na Eisenbahn. Saí correndo para buscar as coisas no hotel; acho que a água que ainda restava no corpo evaporou, e a proporção de álcool aumentou, mas estava bem. Na ida à rodoviária, me dei conta de que as bagagens estavam realmente pesadas. E a cidadezinha, simpática até, não tinha nem sinal de táxi. Cheguei aos 40 do segundo, pingando. Joguei uma água na cabeça e parei para esfriar. Depois da vitória suada dos portugas, o ônibus chegou.

Depois de uma viagem de busão ouvindo a conversa de duas “impolutas moças” (uns papinhos bem estranhos) a alguns bancos de distância, cheguei a Joinville para a estadia mais rápida da história. Próxima parada, outra cervejaria, a última do roteiro.

Cotação: de um a cinco, quatro recordes quebrados – perda de líquidos em um período de tempo, ingestão de cervejas durante um jogo da Copa, arrastamento de bagagens e paciência com conversas toscas.

Som do post: "Higher Ground", Red Hot Chili Peppers.

Link: http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=008082-2<@>Greatest_Hits&opcao=umcd



Escrito por Bob às 03h33
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Caneco de madeira da Behling

(BRA, cabe cerveja para c...)

Cheguei a Pomerode no sábado reatrasado à noite (peço desculpas desde já pela falta de pontualidade dos posts, ainda mais comparada à primeira parte da viagem, com atualizações in loco). Depois de passar pela Zehn Bier de Brusque e conhecer a Kannenbier, de Indaial, e ainda prevendo que teria de "matar" as duas Zehns em garrafa que levava, não me animei muito em fazer mais uma cervejaria no dia. A ´cidade é bem pequena, e na rodoviária não havia nem sinal de táxi. Carreguei as bagagens até chegar no hotel. Depois de umas horas, me animei a ir jantar em uma pizzaria perto do hotel. A pizza, que deveria ser pequena, virou gigante por "erro" do pizzaiolo (ainda bem que não cobraram a mais). De volta ao hotel, matei a Zehn porter e deixei a pilsen descansando (já escrevi sobre isso lá embaixo).

No domingão, resolvi dar um rolê pelo Zôo de Pomerode (sim, às vezes olhar leões, macacos e ursos é uma boa higiene mental). Ainda presenciei um macaco-prego aprendendo a usar uma pedra para arrombar a porta da gaiola e fugir: espero que, se ele transmitir o conhecimento aos colegas, eles não resolvam fundar uma facção símio-criminosa...

Como a cervejaria que ia visitar só abriria à tarde, depois do jogo da Inglaterra com o Equador, fui dar um rolê pela cidade. Foi aí que encontrei a Behling, uma marcenaria gigante no meio de umas casinhas da cidade. O lugar estava deserto, só tinha uma infeliz de plantão vendo o jogo. Foi então que, lá no fundo da loja, escondidas, vi uma pilha de canecas como essa. Achei muito legais - parecem com as canecas do Asterix e do Obelix -, mas logo de cara veio a dúvida: "Pô, mas é de madeira, vai apodrecer se colocar cerveja dentro". A dona garantiu que não, mas ainda não usei na dúvida. Vou ver se alguém não faz um molde de alumínio para colocar dentro e não estragar. De qualquer forma, levei: ela é tão ou mais legal que as canecas de louça de Rio Negrinho, também em Santa Catarina.

Ainda esperando a abertura da cervejaria, resolvi ir a um museu meio afastado do centro. O "meio afastado" foi a referência que recebi no portal da cidade, de duas moças que trabalham lá. Erraram por pouco: na verdade, o lugar é onde o Judas olhou para trás e pensou: "Onde foi que eu perdi a minha bota mesmo?" Ainda mais à pé. Cara, chegou uma hora em que já era questão de honra achar o lugar. O pior é que não tinha ninguém para perguntar se já havia passado ou não. Quando achei uma senhora, pouco ajudou: a dona era tão surda que eu gritava "oi, por favor" a uns 2 metros dela sem ser ouvido. Depois de chegar mais perto e dar um susto na tiazinha, ela apenas apontou para adiante. Perguntei se estava longe, mas ela deu de ombros. Esquisito...

Enfim, depois de a calçada acabar e andar mais uns 2 quilômetros de acostamento de estrada, cheguei no Museu Pomerano. O dono é um senhor chamado Egon. Ele conta que sua família é de comerciantes, e, de uns 20 e poucos anos para cá, ele começou a juntar e arrumar as coisas que expõe em uma casa e um galpão. Há de tudo por lá: uma caminhonete que fazia o trajeto entre a cidade e Blumenau na década de 50, com o corpo em madeira, uma carroça fúnebre do início do século XIX, gramofone da mesma época e até uma foto que, segundo ele, é do jovem Adolf Hitler (vai saber...). Também há invencções bizarras, como um caixote que, acionado por um pedal, toca uma série de instrumentos de percussão ao mesmo tempo e ainda faz uns bonecos dançarem. Enfim, muito legal.

Recoloquei o pé na estrada já prevendo que ia ser um longo retorno. Cheguei pingando na cidade, e, de longe, já avistava a chaminé onde deveria completar a tarefa do dia...

Cotação: de um a cinco, cinco bananas para o macaco-prego transgressor, dois litros e meio de água no trajeto cidade-museu-cidade, quatro puxões de orelha e meio no prefeito para voltar a cuidar do Museu Pomerano - que hoje depende de um senhor de idade e de sua esposa - e quatro javalis para o caneco de madeira. 

Som do post: "Breakfast at Tiffany's", Deep Blue Something.

Link: http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=001376-6<@>Home&opcao=umcd



Escrito por Bob às 01h13
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Budweiser (EUA, 350ml)

Não, não vou ficar fazendo comentários críticos a respeito da seleção, do técnico nem das crônicas punhéticas de uma certa emissora de tevê. Vou me limitar a reproduzir a sabedoria Itaquerense do Josmar, colega do trabalho, com sua frase simbólica para situações como essa:

- Acabou, manô. A casa caiu.

Sobre a Bud, posso dizer que é horrível e justifica plenamente o protesto alemão quanto à tentativa de monopólio da breja americana nos estádios da Copa. Mas o gosto se harmonizou perfeitamente com o sabor da derrota. O único consolo é que a única representante francesa em solo nacional, a Kronenbourg 1664, também não apresenta condições de levar título nenhum. Fazer o quê?

Cotação: de um a cinco, 13 para "Gagá levou nabo", "Zizou fode gagá", "Parreira burro", "Cafu já no asilo", "Ronaldo balofo", "Kaká virou kokô", "RC marcou touca" e, enfim, "Puta time merda".

Som do post: queria colocar "C'est comme ça", do Les Rita Mitsuko, mas a Rádio Uol não tem. Para fins didáticos aos jogadores, vamos então de "É uma Partida de Futebol", do Skank.

Link: http://app.radio.musica.uol.com.br/radiouol/linklista.php?nomeplaylist=000234-3<@>Samba_Poconé&opcao=umcd



Escrito por Bob às 00h47
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Kannenbier (BRA, 600ml)

Um dos pontos altos da viagem a Santa Catarina foi descobrir fabricantes de cerveja "fora do mapa". Além da novidade em si, eles acabaram produzindo alguns dos melhores exemplares que já provei aqui no Brasil e, provavelmente, dos que eu conheço no mundo (que, infelizmente, não são tantos assim). É o caso da Kannenbier, de Indaial, e da Land Brauer, de Blumenau (sobre esta última já escrevi mais abaixo).

Já havia passado por Indaial para conhecer a Heimat quando ouvi falar que um cara da cidade, chamado André, produzia uma cerveja muito boa, em casa, apenas para consumo próprio e de amigos. Ainda estava em Blumenau, ali perto, quando soube da boa nova, mas por uma série de desencontros, acabei conhecendo a cerveja apenas no último final de semana. A origem da produção, conta o André, é interessante: ele, além de trabalhar em um escritório, também gostava de motocross e outros esportes. O médico, porém, deu um ultimato: ele deveria dar uma pausa na ação, que já estava afetando a coluna. Para não ficar parado, começou a fabricação da Kannenbier.

O cara é o que se pode chamar de perfeccionista: montou seu próprio equipamento, fazendo adaptações. Importa malte, lúpulo e outros produtos da Alemanha. Se algo dá errado - o que, pela quantidade de anotações que faz em intervalos cronometrados, não parece lá muito provável -, o produto vai todo pelo ralo, não é reaproveitado. Ele conta que, em visita a Baden Baden de São Paulo, quis saber os ingredientes da cerveja Golden. Sem resposta dos indivíduos de lá, ficou tentando alcançar a fórmula, repetidas vezes - e provando os resultados (ô trabalhinho difícil, hein?), até descobrir que o "elemento secreto" era xarope de baunilha.

Enfim, além de levar bastante a sério a produção, o cara é gente fina: recebeu a reportagem desse humilde blog em casa, para uma degustação. A primeira da lista, a Helles, é excelente: encorpada, com "cabeça" (a espuma do colarinho) constante, sem ser muito amarga. O "buquê" dela é muito bom, não tem aquele cheiro de álcool puro de algumas cervejas. Trouxe algumas para casa e a Gi também provou. Com paladar mais aguçado que o meu, notou semelhanças entre ela, a Paulaner e a Erdinger, com a vantagem de que a Kannenbier tem aroma frutado menos acentuado, o que, para ela, é bom. Apesar de forte, a cerveja desce bem; o André disse que chegou a tomar 11 em um dia, e não teve os famosos efeitos da ressaca no dia seguinte. Eu tomei duas e posso dizer que, nessas condições, também fiquei OK.

A segunda da lista foi a melhor que já tomei na categoria Stout: nunca tinha conhecido uma variedade com fundinho de café, e, ao mesmo tempo, mantendo o sabor natural da cerveja. Essa realmente foi primorosa.  

Depois de mais uma degustação, tive de sair às pressas, porque já era hora de pegar o ônibus até Pomerode. Na bagagem, levei quatro garrafas da Helles. Apesar do peso (já estava com duas da Zehn, vale lembrar), valeu a pena. Um dos planos do André, a longo prazo, é abrir uma cervejaria, como muita gente já fez na região. Espero que a Kannenbier tenha vida longa, mantendo a qualidade atual.

Cotação: de um a cinco, quatro e meio com louvor; a mesma nota para o rótulo, pela idéia do mapa-múndi com gotas d'água. Cinco pela descoberta, dois litros de chope no bucho (já havia passado pela Zehn no mesmo dia) e a perspectiva de oito horas de sono para ver se a audição no ouvido esquerdo voltava.  

Som do Post: "With or Without You", U2.

Link: http://musica.busca.uol.com.br/radio/index.php?busca=with+or+without+you&param1=homebusca&check=musica 



Escrito por Bob às 01h57
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