Latinhas do Bob
  

Cerveja de banana (BRA, chopp)

Se você está lendo este texto e é fanático por cerveja, já está atrasado. Poderia estar arrumando as malas para uma viagem até Lorena. Explico: hoje, quinta-feira, e amanhã, sexta, a Escola de Engenharia de Lorena (EEL), hoje administrada pela USP, está procurando 50 “cobaias” para degustarem uma “cerveja de banana” que está sendo desenvolvida pelo Departamento de Biologia da instituição. Pensei em começar o texto dizendo que sim, a lista de desculpas para se tomar uma cerveja havia ganho mais um item, o “progresso da ciência”. Mas parece que algum engraçadinho já teve essa idéia (rs).

Enfim, num sensacional “furo” de reportagem, este humilde blog descobriu que a EEL tem uma microcervejaria e, pasme, fabrica cerveja em pleno campus desde 2001 (às vezes a vida dá sinais de que podemos ter escolhido a formação acadêmica errada, pena que seja um pouco tarde). E que o projeto da cerveja de banana, na verdade uma cerveja em que parte do malte, de 20% a 25%, é substituída pela fruta. Até a visita do blog, apenas alguns alunos, funcionários e amigos haviam provado a cerveja.

Depois de alguns contatos, uma viagem de busão até o Vale do Paraíba e algumas buscas em supermercados da região por latinhas (que resultaram em nada), chegamos ao local dos fatos. A EEL fica num terreno bem arborizado; a microcervejaria, por sua vez, está numa construção meio “escondida” por destroços de unidade de testes do Proálcool, projeto que teve boa parte de sua formulação na região. Descontentamentos históricos à parte, voltamos ao álcool em questão no dia. Na porta da microcervejaria, encontrei o Giovani, responsável pelo projeto da cerva. No porta-malas do carro, caixas de banana, a matéria-prima para o experimento.

Ele explicou que o objetivo do projeto de doutorado é baratear o processo de fabricação e, de quebra, dar uma força para a produção de bananas na região, valorizando o produto. Ok, motivos mais que suficientes, mas e a cerveja, fica boa? Até então, só tinha visto um tal suco da fruta chamado Banawa, que realmente não tinha agradado. Tiramos do reservatório, então, uma tulipa da variedade mais suave, não-filtrada. Ela tem uma cor amarela pendendo para o dourado, bem intensa. A espuma também é generosa e cremosa. De cara, a primeira surpresa: não tinha cheiro de banana (ou pelo menos eu não percebi). Mas e o gosto?

Bem, em suma, eu gostei. A cerveja é encorpada e, ao mesmo tempo, tem gosto de banana. Mas não é uma coisa enjoativa, como aquelas cervejas com licor de menta ou Skol Lemons da vida. O sabor da fruta se integra ao conjunto, sem parecer suco de banana com álcool. Apesar do uso da banana, a cerveja não usa outros elementos além de água, malte, lúpulo e fermento. Pode assustar puristas, mas realmente vale a experiência – afinal, é disso que se trata, um experimento científico.

Outras tulipas se seguiram, em meio a uma conversa científica de grande profundidade, abordando temas como “se o caminhão de Yakult bate, os lactobacilos morrem?”, da minha parte, e “A cerveja Duff dos Simpsons realmente existe”, questão lançada pelo Cléber, técnico do laboratório (o pior é que existe sim uma versão pirateada no México). Como bônus, enquanto o Giovani e a assistente Camila descascavam as bananas para preparar a próxima leva da cerveja, ainda pude tomar a Continuous Beer, uma cerveja desenvolvida por outro aluno, o Juliano, num processo de fabricação ininterrupto. Também apreciei: para uma pilsen, tem um amargor acima da média, o que é bastante interessante.

Saí de lá satisfeito com a pujança do nosso progresso cervejeiro-científico, já planejando um retorno; afinal, na prancheta de projetos, ainda há idéias de cervejas com outras matérias-primas, como mel, caldo de cana e arroz preto. Resta agora torcer para que algum investidor governamental ou privado descubra a idéia e resolva financiar um mega-projeto “Sede Zero” para, parafraseando um certo presidente, “dar a todo o brasileiro o direito de fazer pelo menos uma happy hour decente por dia”. E sem ter de depender de cervejas meia-boca para tanto.

Cotação: de um a cinco, quatro chapéus de idéias do Professor Pardal (aquele com os corvos) para a idéia da cerveja natural de banana.

NOVIDADE! NOVIDADE! NOVIDADE!

Até segunda, este humilde blog fará uma contagem regressiva para o show da banda-revelação da MPB brasileira (segundo a publicação especializada Latinhas do Bob) em 2007, Mamma Cadela. Não me perguntem por que (rs). Os caras vão lançar o CD na segunda-feira, 18 de dezembro, em show no MIS, em São Paulo (na Avenida Europa), às 21h. Para entrar, dezão ou cincão a meia. Para levar o CD, mais cincão. Vale a pena. Para quem duvidar, até segunda postaremos links para algumas das músicas da banda.

Som do Post: "Natu Nobilis", Mamma Cadela. Basta clicar em cima do nome da música.

Link: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=113763040



Escrito por Bob às 03h28
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Primus com lúpulo Hallertau (BRA, 350ml)

Ahhh, nada como um intervalo nas avaliações de cervejas de qualidade. São boas de beber, mas na hora de escrever, vem aquele vazio: o que dizer? Nesse caso, a lógica do avaliador é inversa: se você não tem nada de ruim para falar de uma cerveja, seu texto corre o risco de ser um porre. Mas não serei tão cruel com a nova Primus, que tomei ontem, após um almoço primoroso na mega-churrascaria Ao Chopp do Gonzaga, que tem uns 20 lugares desde que eu me conheço por gente e, apesar de fazer sucesso, não amplia (o que não deixa de ser algo bom, mas não tanto como o molho de cebola de lá).

Enfim, voltando ao fato, a tal cerveja tem aparecido em propagandas na tevê alegando que mudou o lúpulo usado na fabricação, que agora passou a vir da região alemã de Hallertau, que é aromático e outros balangandãs. Mas a pergunta que não quer calar é: isso é suficiente para melhorar a qualidade da cerveja? Pode um pequeno detalhe mudar totalmente a avaliação das pessoas ? (esse trecho é ridículo, mas não pude deixar de escrevê-lo para ver as letras aparecendo na tela com frases totalmente cascateiras, uma imitação barata daquela pseudo-articulista do Sex And The City, que atende pelo nome de Carrie; só não vou fazer cara de tonto e olhar para o nada como a referida faz quando escreve uma baboseira qualquer; ah, que saudade das refinadíssimas pensatas do Voltaire de Souza...).

A resposta é (rufem os tambores): em parte. Até que o tal lúpulo parece ter melhorado a situação. Mas isso não quer dizer que a cerveja é boa: ela simplesmente deixou de feder, como ocorre com tantas outras fabricações industriais. Nem por isso deixou de ter gosto de papel, outro problema recorrente de grandes marcas. Mas, quando ela esquentou um pouco, não é que um levíssimo gosto aromático pôde ser sentido? Não sei se é algum “defeito de fabricação”, mas achei curioso. Algo como colocar uma plantinha para tentar eliminar os inconfessáveis odores de um banheiro de alta rotatividade, como vi em um restaurante outro dia. Não vai resolver todos os outros problemas do local, mas o mínimo de perfume que ela produz já é de deixar qualquer um sensibilizado pelo esforço do pobre vegetal. Em homenagem ao tal lúpulo, poderiam também resolver utilizar na cerveja maltes selecionados, sem misturas bizarras nem elementos químicos esquisitões. Mas aí há o risco de a cerveja ficar boa para valer... (rsrsrsrsrsrs).

Cotação: de um a cinco, dois frascos de Bom Ar e meio.

Som do post: tirem as crianças da sala! Esse é um dos clipes mais bizarros que eu já vi. O nome da banda é só coincidência. Primus, “Mr. Krinkle” (sim, são os caras da música do South Park).

Link: http://www.youtube.com/watch?v=lcnNasM9NWU



Escrito por Bob às 19h49
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