Latinhas do Bob
  

Mundana (BRA, 500ml)

Estava eu curtindo meu primeiro dia de folga natalina quando recebi um chamado urgente (na verdade fui eu que liguei, mas a convocação veio em seguida): “Só está faltando você aqui. Tá trabalhando hoje”, dizia, do outro lado da linha, o mestre-cervejeiro Reynaldo Fogagnolli. Eram 18h40 de uma quinta-feira nublada. Um dia como qualquer outro, não fosse por um detalhe: havia cerveja nova na parada. Aceitei a ocorrência de imediato e em segui com a viatura em direção de Cerqueira César (apesar da linguagem policial, a primeira imagem que me veio à mente foi aquela cena do Batman em que toca târârârârârârârârârârârâ e depois tum-dum-tum-dum... e umas coisas ficam girando na tela, ou a vinheta de troca de cena dos Superamigos. Nos dois casos, claro, com um copo e uma garrafa de cerveja no centro. A degustação também poderia ter aqueles efeitos sonoros-gráficos, como “GULP!” “AHHHH!” “BURP!” e congêneres).

Chegando lá, os elementos estavam todos reunidos em uma mesa. A abordagem foi tranqüila, apesar de o pequeno Reynaldo (deve ter uns 2 metros de altura pelo equivalente em largura) não ter perdido a oportunidade de me amolar por conta da camisa da Eisenbahn que eu usava. Mas o cara, ex-cervejeiro de uma das grandes e atualmente dono da Universitária, de Campinas, é muito gente boa. Foi ele o cara que criou a Mundana, em parceria com o Gustavo Furniel, dono da casa noturna e do selo musical Mondo 77. A cerveja, aliás, tem um vínculo musical: o rótulo, feito pelo ex-baixista da banda Ludov, é na forma de uma guitarra Flying V, com uma musa que, digamos, insinua coisas que podem ser feitas antes, durante e após o consumo da bebida, como sugere a ampliação abaixo (atenção, tirem as crianças do blog):

 

Soube depois que a musa ao estilo dos catecismos do Carlos Zéfiro foi baseada na foto de um livro só com ninfetas. Mas a impoluta moça era loira, e acabou morena na garrafa. Coisas de contraste. “De loira já tem a cerveja, pô”, justifica Reynaldo. Fechando a parte musical, o ilustre cervejeiro ainda é um fã incontido de chorinho (brincadeira, hein, o cara só curte blues e rock das antigas, mas teve uma temporada de choro no bar da Universitária).

Chegando enfim à cerveja, foi uma degustação interessante. Apesar de ela ter sido feita com a idéia de ser mais suave, o amargor bem acima da média chamou a atenção, agradando bastante. Talvez pelo ambiente do bar, não consegui perceber um aroma distinto na cerveja. Mas o gosto é muito bom: além do amargor, ela ainda deixa um residual na boca, mas não aquele bafo tosco das cervejas industriais. O Reynaldo diz que não é uma pilsen, apesar de ter algumas características de uma (mas, por outro lado, também tem diferenças, como o uso de mais de um tipo de malte), mas lembra bastante a variedade. Sobre a suavidade, a percepção vem depois: tomei mais que um litro e meio dela, e, apesar dos 4,8% de gradação alcoólica, ela desce muito melhor que cervejas convencionais. Ah, por enquanto a Mundana só está à venda no Exquisito! E na Funhouse, na Bela Cintra, a R$ 7 a garrafa de meio litro.

Três horas e um tanto depois, concluí a averiguação da ocorrência, deixando o local dos fatos. Infelizmente, só tive condições de lavrar o “Boletim de Ocorrência” agora. Na saída, ainda dei de cara com um indivíduo em desinteligência com os caras de um estacionamento: depois de muito bate-boca, o elemento se saiu com essa: “Sou senhor, sim,sou juiz”. Inevitável lembrar da piada da Telerj, quando o Luiz Paretto diz que é advogado e o cara responde: “Grandes Merdas”.

Cotação: de um a cinco, quatro garrafas de Mundana para acalmar ânimos no final do dia.



Escrito por Bob às 17h16
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Dana Bier Monica Ale/

Golden Ale (BRA, 960ml)

Nada como aproveitar o final de ano para colocar a pauta em dia com algumas sessões extraordinárias, sem direito a jeton. Pela ordem, vou postar três degustações que fiz nos últimos sete dias (e dá-lhe fígado junto). A primeira, e provavelmente a melhor, foi essa nova versão da Dana Bier, do João Gonçales. Já havia provado a de trigo clara, e achado extremamente boa. A escura ainda estou devendo, diante de tantos compromissos etílicos. Mas faremos um esforço concentrado, como dizem certos presidentes de Câmara, para degustá-la em regime de urgência.

Numa inversão de pauta com a de trigo escura, provei primeiro a Mônica Ale, uma golden ale com pegada de strong, diria. Logo de cara, uma constatação muito curiosa: “Meu cérebro está me pregando peças ou estou sentindo cheiro de manga?”. Realmente a cerveja tem um aroma muito intenso e bom. Ela tem uma cor marrom-acobreada. A espuma não é intensa, mas não interfere com o conjunto. A primeira impressão que tive foi de provar uma Old Speckled Hen, mas a golden da Dana Bier tem a vantagem de ser mais harmônica, não se sente tanto o gosto do álcool separado nela, a combinação cai bem melhor. Outro fato curioso que notei é que, da metade para o final, a cerveja muda suavemente as características, ficando mais encorpada; dá para sentir o sabor do malte de forma mais apurada.

Enfim, mesmo depois de ter tomado uma garrafa de 1 litro, ainda fiquei com vontade de abrir outra. Mas aí já é demais para enfrentar o trabalho no dia seguinte. Felizmente, porém, já arrematei mais uma garrafa para o Natal (junto com uma de trigo clara). Rumarei com elas para Lins, outro jargão conhecido dos políticos: Local Incerto e Não Sabido. Ah, que espertinhos...

Cotação: de um a cinco, quatro copos em cima da lareira para o Papai Noel. Quem sabe assim o bom velhinho mude de idéia sobre deixar uma pedra de carvão na meia de um certo blogueiro.



Escrito por Bob às 16h35
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PARABÉNS INTER CAMPEÃO MUNDIAL

Foi um sufoco, mas eles chegaram lá. No Sul, sempre fui mais fá do Grêmio, mas é preciso tirar o chapéu para os caras. Não é sempre que um time derrota o campeão mundial na final da Libertadores e depois desbanca os favoritos ao título na nova decisão. Bairrismos toscos à parte, valeu.

VOCÊ NÃO AGUENTA MAIS VER CHAMADAS EM CAIXA ALTA?

Seus problemas vão acabar em breve. Mas só por enquanto (hehehehehehe): o show do Mamma Cadela é hoje, e essa propaganda desenfreada chegará ao fim. Antes que me acusem de vendido, explico o porquê da inclusão do show deles (que por acaso é hoje, segunda-feira, dia 18, no MIS, que fica na Avenida Europa, 158, a partir de 21h, dezão a cabeça...rsrsrsrsrsrsrs): um dos integrantes da banda é  meu irmão. Que, por acaso, é o mesmo que me trouxe duas latinhas do Chile, sobre as quais já escrevi. Ele merece um crédito, não?

Som do post: Meus eletrodomésticos, Mamma Cadela.

Link: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=113763040



Escrito por Bob às 02h51
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Fritz Klar, Natur, Dunkel e Köelsch (BRA, chopp)

Não satisfeito em ter suprido a minha dose de potássio semanal tomando várias tulipas de cerveja de banana em Lorena, resolvi enriquecer o roteiro da minha viagem (belo eufemismo para “voltar mais pra lá do que pra cá” no dia de folga) com uma parada em São José dos Campos, no Chopp do Fritz, que fabrica suas próprias cervejas. Uma parada mesmo: tive pouco mais de 1h30 para sair da rodoviária, ir até o local, apreciar quatro tipos de cerveja (aproveitando o momento bund... quer dizer, bondístico, com “licença para tomar”) e voltar. Uma missão desafiadora.

Parece brincadeira, mas contei com ajuda curiosa: o taxista que peguei se chamava Jesus. Bons presságios? Pode ser, mas não pude deixar de lembrar daquela célebre expressão “Jesus me chama” associada ao consumo de alimentos que figuram semana sim, outra também, na lista de matérias do Globo Repórter sobre porcarias tóxicas e afins. A cerveja, porém, está longe de ser ruim. Mas, como diria a Chiquinha, também não é lá um quarteto de quatro cervejas fantásticas, maravilhosas... Tem dois valores bem bons no plantel.

A Klar é uma pilsen suave até demais e, reconheço, deve ter público cativo, ainda mais em dias de calor. Me lembrou um pouco a OPA Bier, de Joinville, mas a catarinense tem um pouco mais de sabor. A Dunkel é a mais fraquinha do quarteto, ainda mais se comparada, por exemplo, com a da Eisenbahn ou alguma alemã. Não se difere muito da Klar, mas também seria injustiça qualificar as duas como más. Estão bem acima das comerciais, mas não no "top 5" das micros. 

As melhores do grupo, com certeza, são a Natur, uma versão não-filtrada da Klar, e a Köelsch. A primeira é mais forte e tem gosto mais marcante, que “pega” na boca. A Köelsch, com teor alcoólico na casa dos 7%, tem um gosto de álcool mais acentuado, mas com boa harmonia. A espuma também é mais consistente que a das outras. Acho que leva vantagem sobre a Natur até. Diante da pressa, todas foram acompanhadas por um suave prato de picanha com catupiry e amendoins japoneses (ah, nem vem, eu não tinha comido nada até a janta, porque saí de casa cedo).

É chegada a hora: Jesus me chama, avisando que o ônibus já estava para sair. A visita ao Sam’s Club em frente para caçar latinhas fica para outra vez. Saio meio alto, mas, uma garrafa de água depois, já estou recuperado para uma viagem de 2h, com direito a 14 estações de metrô e um quilômetro a pé até chegar em casa de madrugada. Se parecia meio tosca no primário, nas primeiras redações, a forma de encerrar textos de férias e afins que as “tias” ensinaram fez muito sentido na hora: “Que viagem!”

Cotação: Uma estrela de papel laminado para a Dunkel, um cometa de papel camurça (vale duas estrelas) para a Klar, um trevo verde de papel laminado para a Natur (acho que valia uns 5 cometas, mas aí já é exigir demais da memória) e um sapinho verde de papel laminado, a honraria máxima do colégio até, acho, a 1ª série, para a Köelsch. E um Troféu Joinha para a escola, que conseguiu criar mais premiações que o Itamaraty.

ATENÇÃO! O SHOW DO MAMMA CADELA É HOJE

Som do Post: Lição Marítima 3, Mamma Cadela. Os caras lançam o CD “Mamma Cadela em Busca da Verdade” no MIS (av. Europa, 158) a partir das 21h. Dezão a entrada.

Link: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=113763040

   



Escrito por Bob às 02h15
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