Latinhas do Bob
  

Schneider (ARG, 350ml)

Esta aqui o nobre colega Arthur, vulgo Barba, trouxe da Argentina, onde foi fazer um curso de “sobrevivência em ambientes hostis”. Nada de torcedor corintiano no meio da Mancha Verde ou coisas do gênero, o treinamento tinha direito a clima de guerra, porradas e afins.

A cerveja acompanha bem o clima da tarefa: nada de aromas complexos, sabores frutados, lúpulo, essas delicadezas de tempos de paz. É uma breja que não perfuma, não deixa sabores na boca. Mas também não chega a ser um instrumento de tortura para o inimigo, com cheiro e gosto nauseabundos. Enfim, uma pilsen "soldado raso". se as rações de cervejas melhores estiverem baixas ou indisponíveis, permite ao combatente sobreviver sem grandes percalços. Para completar, a latinha poderia ser camuflada, a exemplo das que foram feitas para os soldados americanos na segunda guerra mundial.

Cotação: de um a cinco, duas continências e meia. Ou vinte e cinco flexões.



Escrito por Bob às 22h47
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Coopers Pale Ale, Sparkling Ale

e Extra Stout (AUS, 330ml)

 Estava meio sem vontade de escrever neste prestigioso diário nos últimos dias, mas ontem à noite tive a inspiração que faltava. Aniversário da firma, com direito a bolinho – degustado com certo receio, pois há alguns anos, também como presente, um pão de mel estragado provocou corrida em massa aos sanitários – e, principalmente, a centenas de bexigas infladas com gás hélio.

Lá pelas tantas, no final da noite, alguém teve a brilhante – e científica, por que não – idéia de inalar o gás hélio das bexigas para ficar com voz de Pato Donald por alguns segundos (crianças, não tentem isso em casa sem a supervisão de um adulto. Que, certamente, irá rolar de rir). Um dos mais empolgados era o Marcão, aquele colega doidivanas de trabalho, célebre por bordões como “saló”, “lês 120 journées” (as duas expressões fazem parte de um samba-enredo que ele tenta compor há meses sobre o Marquês de Sade, os 120 Dias de Sodoma e Gomorra e afins; imagino que, nessa linha, haverá a “ala das baianas empaladas”, carros alegóricos de couro preto com zíper e tal), imitação de jegue zurrando e, mais recentemente, o hit “Eu seeeeeeei”. Imagine essas intervenções repetidas com uma voz de Pato Donald resfriado (sim, a versão hélio dele tinha de ser mais bizarra que as outras). O impoluto se empolgou tanto que praticamente ficou “viciado”. Depois da sexta bexiga, a voz dele precisava de mais e mais hélio para mudar. Tivemos de sair à cata de bexigas nas escadas, teto e outros lugares de difícil acesso.

Enfim, depois dessa palhaçada, é hora de limpar a pauta atrasada de vez. De 2006, ficou faltando falar da Coopers, uma cerveja australiana que começou a se vendida por estas bandas. O lançamento dela foi em dezembro, e dei um jeito de escapar do trabalho para dar uma chegada lá. Chique o evento: até o cônsul da Austrália estava lá. Havia bons entendedores de cerveja também. É curioso ver que eles detectam coisas na cerveja que, para leigos – ou semi-leigos, caso deste que escreve – são imperceptíveis, caso de mofo e afins.

Posso dizer que as três versões da Coopers são melhores que a outra australiana vendida aqui, a Foster’s. A Pale Ale é a mais fraquinha do trio; como bem repetia baixinho um dos participantes, não parecia de fato uma cerveja do tipo.

A Sparkling Ale ficou cacifada por ter vencido uma Copa do Mundo da cervejas na Alemanha, durante o Mundial de futebol. Vale ressaltar que ela disputou a final com a italiana Nastro Azzurro. E que o Brasil, pasme, entrou na disputa com a Brahma, e levou um toco dos australianos. Comparando, seria a seleção de 1966, que foi aos trancos e barrancos à Inglaterra, com 44 jogadores no elenco (o dobro do normal), e tomou um nabo da Hungria e Portugal, voltando para casa na primeira fase. É uma cerveja bem boa, verdade, mas não a melhor que tomei; o amargor é interessante.

Achei, porém, a Stout a melhor do conjunto, apesar de não poder igualar os estilos. Mas me pareceu uma cerveja mais bem acabada, com aroma de malte torrado e gosto idem, bem acentuado.

A degustação ainda foi fechada com uma prova da St. Druon, da francesa Jenláin, essa sim uma cerveja do nível da seleção francesa de 1998, encorpada, com gosto forte, “perfumado”; chegou a lembrar o cheiro do vinho depois de um certo tempo no copo.

Saí de lá preocupado com o horário de volta ao trabalho, que fica a uns 20 minutos do local. Mas, no tempo em que estava lá, caiu uma mega-tempestade, que deixou um mega-trânsito na cidade. Resultado: levei 2 horas para chegar. Ainda bem que a situação estava tranqüila. Melhor levar um laptop da próxima vez, ou fazer a degustação no serviço...

Cotação: de um a cinco, um equidna para a Pale Ale, três coalas para a Sparkling Ale e quatro cangurus para a Stout. E quatro tragos e meio da poção do druida do Asterix para a St. Druon.



Escrito por Bob às 22h32
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Eisenbahn Lust (BRA, 750ml)

Enquanto 2006 vai para o saco e 2007 começa a dar seus primeiros passos em direção à geladeira para buscar cerveja, este humilde diário mantém sua rotina de trabalho. Para acompanhar fogos e a virada, em vez do champanhe, um belo exemplar da Lust, a cerveja champenoise da Eisenbahn. Para quem não conhece a história dela – e também para não amolar quem conhece -, um breve relato: a Eisenbahn, de Santa Catarina, resolveu este ano fazer uma cerveja nos moldes da Deus, aquela belga mais conhecida por custar 200 pilas. É uma cerveja feita ao estilo de champanhe: a base é a Strong Golden Ale, que pode ser encontrada nos mercados e têm 8,5% de teor alcoólico. Para fazer a Lust, ela é colocada em garrafa de champanhe e passa pelo mesmo processo de fabricação da bebida espumante, com direito a descanso em caves e afins.

No final, fica com 11,5% de teor alcoólico, mantém o aroma frutado da Strong Golden Ale (embora com um pouco menos de maçã presente no cheiro), mas com bem mais gás (é preciso deitar bem o copo de champanhe e servir lentamente para não transbordar; além disso, dá para ver o perlage, ou “colar de pérolas”, formado pelas bolinhas; e pensar que quando disse isso no trabalho uma menina afirmou que o termo também é usado para cachaças...) e gosto mais acentuado que a sua “cerveja-base”. Enfim, é uma cerva muito gostosa, para ocasiões especiais (custa pelo menos 66 manguetas), que substitui um champanhe ou espumante de primeira linha na boa.

Sobre o ano que se foi, em poucas palavras (gosto de poupar munição para o trabalho), posso dizer que não deixará saudades. Por um lado. Mas, enquanto meditava na pré-virada, concluí que, em todas as áreas, depois de um período muito ruim, houve o momento da reação, o que valorizou ainda mais o resultado final. Isso se aplica ao futebol (meu time foi de lanterna a top 10 do campeonato), política (o que me fez rir bastante em um certo período do ano) e por aí vai. Também, por outro lado, foi um ano muito bom, porque nele comecei a me dedicar mais seriamente à busca por cervejas aqui e acolá, e, por tabela, descobri produtores entusiasmados, tradicionais e quase centenários, como o seu Loeffler, de Canoinhas, e inovações tecnológicas, como a cerveja de banana da USP de Lorena. De quebra, conheci novos lugares pelo País afora. E espero poder continuar viajando atrás de quem cultua e trata bem o precioso líquido. Enfim, sem mais delongas, um ótimo 2007 para todos, com cervejas de nível e, se não for possível, que elas ao menos não dêem dor de cabeça.

Som do post: in memoriam, a Canção do Saddam, no filme do South Park.

Link: http://www.youtube.com/watch?v=D3CX39mm1GM



Escrito por Bob às 00h52
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