Latinhas do Bob
  

Colorado Pilsen, Trigo,

Pale Ale e Negra (BRA, chopp)

Na segunda parte da viagem a Ribeirão Preto, fiz uma visitação inversa à fábrica da Colorado, a microcervejaria local. Primeiro, provei a cerveja: depois da degustação de todas as variedades da Pratinha (leia abaixo), fomos ao Cervejarium, um bar local especializado em cervejas importadas. Lá, foi servida uma minissérie das quatro variedades da Colorado: pilsen, trigo, pale ale e negra, em copos um pouco maiores que os de tequila. Uma idéia apropriada, diria, depois de tomar as Pratinha (a produção é grande) e antes de tomar também mais duas belgas.

 

Pois então, nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Duas cervejas são bem boas, a pale ale (principalmente) é a que tem o melhor conjunto entre sabor/aroma, de longe a melhor do quarteto. A de trigo é interessante por fugir daquele sabor de cravo encontrado em boa parte da variedade, mas, comparada com outras, como a Dana Bier (leia mais abaixo), fica atrás. A versão de trigo com mel, sobre a qual escreverei depois, é melhor.

 

A pilsen é “simpática”, digamos assim, no esquema de “cerveja para refrescar”, mas sem o amargor que, ao menos na teoria, a categoria deveria ter. Não está nem perto de uma Crystal, que fique claro, é bem melhor, mas talvez peque pela suavidade.

 

A Negra, porém, deixou bastante a desejar. Muito fraquinha, não é uma malzbier (ainda bem), mas também parece não ter força para se encaixar em nenhum outro estilo. Aparenta ser a pilsen na versão escura. Infelizmente, carece de muitos “consertos”.

 

Enfim, no cômputo geral, ainda é bastante legal e louvável ter uma microcervejaria em Ribeirão – além de bares que começam a se dedicar à degustação de boas cervejas; além do Cervejarium, há outros na Avenida Independência. Ainda mais porque, pelo que o pessoal da cidade que aprecia cerveja comenta, o Pingüim parece viver mais do nome e da habilidade dos tiradores de chopp do que do nobre líquido propriamente dito. A fábrica da Antarctica de Ribeirão – sobre a qual corriam lendas, como a que falava da existência de tubulações escondidas que ligavam os tanques dela diretamente à chopeira do Pingüim – fechou há tempos. Era da época pré-Ambev, em que as unidades da Antarctica competiam para ver quem tinha a melhor cerveja; saía um ranking até na Playboy.

 

Não tive coragem – nem fígado, depois de tanta cerveja – de ir ao Pingüim provar o chope depois de tomar tantas produções de alto nível. Melhor conservar a imagem antiga, junto com a camiseta do bar que eu tinha lá pelos idos de 1995...

 

Cotação: quatro colméias para a Pale Ale da Colorado, que tem o urso como logotipo, três cestas de piquenique para a de Trigo, dois salmões e meio para a Pilsen e seis meses de hibernação para a Negra. E, por enquanto, só uma sardinha para o Pingüim.



Escrito por Bob às 02h56
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Pratinha Munich Hell, Imperial Porter,

Dubbel e Trippel (BRA, vários tamanhos) 

 

"Bomba, parem as máquinas, exclamação. Ribeirão Preto um, dois, três, quatro, cinco tipos de cervejas de altíssima qualidade, ponto. Meu Deus, exclamação", diria o ídolo trash-jornalístico-esportivo Roberto Avallone, se trocasse o Palestra por boas produções da nobre bebida. Voltei hoje de madrugada de Ribeirão Preto justamente com essa impressão sobre a Pratinha, homebrew feita lá na cidade pelo José Virgílio. Ele começou a fabricar cerveja em 2004, mas já era fã do precioso líquido desde os anos 80; até há alguns dias, a fábrica da Pratinha estava instalada na fazenda de mesmo nome, em Ribeirão, que aparece no rótulo.

Tinha ouvido falar dela por terceiros, via e-mail, em novembro. O que me chamou a atenção é que a produção, entre outros tipos especiais, inclui cervejas Dubbel e Trippel, ao estilo belga, que nunca tinha visto serem feitas em casa (tudo bem que com equipamentos modernos) aqui no Brasil.

Peguei o ônibus pela manhã e cheguei a Ribeirão na hora do almoço (p... da vida com um cara que berrava no celular com uma coitada de uma interlocutora que, pelas ordens dadas em três ligações no intervalo de cinco minutos, deveria fazer o almoço do estrupício, retirar caixas de som do carro e sair correndo para pegá-lo – "senão eu vou ficar moiando", disse; detalhe, o cara era vendedor de guarda-chuvas e estava com pelo menos meia dúzia embaixo do braço).

Pensei em comer um pastel de carne ou queijo engordurados para não fazer a degustação de estômago vazio. Graças a Deus não levei a idéia a cabo. O nobre anfitrião já tinha preparado um cardápio para degustação. Ou melhor, um banquete, com direito a mexilhões feitos na cerveja com temperos, camarões e caudas de lagosta e bife de tira (em versão paulistana, seria uma mistura dos frutos do mar do Pilico & Bia com as carnes do El Tranvía). Realmente primoroso.

A degustação das cervejas também foi um "banquete". Começamos com a cerveja de trigo da Colorado, também de Ribeirão (sobre a qual escreverei depois). A variedade seguinte foi uma Munich Hell Pratinha (5,5% de teor alcoólico), extremamente perfumada, com amargor interessante e boa espuma, está bem acima da Spaten, que aprecio bastante. A terceira prova foi de uma Imperial Porter (6%). Ela é bastante encorpada e com amargor intenso, mas também bastante aromática. O melhor, porém, ainda estava por vir. A primeira Dubbel (6,5%) que provamos é realmente excelente: formação de espuma perfeita, com pérlage, aroma e sabor cítricos (achei o de laranja predominante, mas também tive a impressão de abacaxi), com um toque de cravo. Achei ela melhor que a segunda versão Dubbel (7%) feita com fermento diferente, e como disse o José Virgílio, mais "comportada", com o sabor cítrico menos evidente, na mesma intensidade do cravo. Para fechar, uma Trippel (10%), também de excelente porte, mais forte (até pelo processo de fabricação), e com os mesmos sabores. Uma curiosidade: para engarrafar algumas cervejas, o José Virgílio "garimpou" antigas garrafinhas da Malte 90, ou "Malte Nojenta", como foi apelidada na época. Fortuitamente, o "espírito" de tais cervejas não afetou a produção atual (rsrsrsrsrs)  

Como se já não tivesse sido bom o bastante, ainda fomos para o Cervejarium, bar de Ribeirão especializado em cervejas importadas. Apesar de uma variedade brasileira que buscava não estar disponível, ainda provamos duas belgas: a Hommel e a Saison Dupont, também muito boas. Claro que ninguém degusta tantas cervejas belgas e tipo belga, algumas com teor alcoólico na casa dos 10%, impunemente. Cheguei na rodoviária com as idéias funcionando mais rápido que a fala (hehehehehe). Mas nada que um café de boteco e duas águas minerais não resolvessem em meia hora. Ainda deu tempo de tomar um refrigerante local, de Brodowski, na saideira.

Cotação: vou começar a dar notas quebradas pelo alto padrão das cervejas e em homenagem às interjeições do Avallone. De um a cinco, um, dois, três, quatro ponto oito para a Dubbel mais cítrica, quatro ponto seis para a outra versão da Dubbel e a Tripel, além da Münchner Hell, e quatro e meio para a Imperial Porter. Realmente estão entre as melhores cervejas que já tomei, e facilmente no "top 5" das micros/homebrews nacionais.

Em tempo: o José Virgílio vai colocar no ar, nos próximos dias, um Podcast sobre cerveja, tecnologia e gadgets correlatos, chamado Bytes and Beer (www.bytesandbeer.com). Aguardem mais informações, mas a abertura já está disponível.

Em tempo 2: a imagem do logo da Pratinha vai ser arrumada no fim do dia.

Som do post: Rockwell, "Somebody's Watching Me"

Link: http://www.youtube.com/watch?v=-myr2X56n24



Escrito por Bob às 21h35
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