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Dana Bier Teresa Dunkel e Mônica Ale (BRA, 660ml)

Pois é, quem não tem espaço, se vira com blog. Mas vá lá: como foi por meio deste humilde diário que eu conheci a Dana Bier, é também por ele que eu anuncio, com orgulho, que a produção de Aldeia da Serra entra, daqui a algumas horas, no mercado das cervejas. E de cara nova: quem for ao Bar Anhanguera (rua Tito, 25, Vila Romana/SP, tel.: 0xx11 3368-2771) hoje à noite vai poder provar a Dani Weiss (de trigo), Mônica Ale (uma golden ale) e a Teresa Dunkel (de trigo escura) fabricadas pelo João Carlos Gonçales Jr. em novo formato. Agora, a Dana Bier vem em garrafas de 660 ml, de Lambrusco, com direito a rolha e aramado.
Em primeira mão, o blog provou duas delas. A Teresa Ale apresentou uma grande melhora: o aroma de chocolate é intenso, e há um gosto marcante de torrado, com amargor forte. Depois de algum tempo, percebe-se também o aroma de lúpulo. A espuma é média, mas a parte líquida é bem carbonatada. A Mônica Ale apresentou um amargor maior e mais persistente e uma cor marrom mais sólida, além do aroma lupulado. Achei interessante pelo amargor elevado, que encorpou bem mais a cerveja, mas acho que prefiro a fórmula anterior, onde o amargo é justamente um pouco menos intenso e a cor, menos sólida (em tempo, o João disse que deve voltar ao modelo anterior mesmo).
A Weiss eu pretendo provar hoje à noite, no lançamento.

Por conta da produção limitada - por enquanto, são 20 litros por batelada, que devem ser ampliados para 50 com os novos equipamentos - o Anhanguera vai limitar a venda a uma garrafa para cada duas pessoas. Ela vai custar R$ 26; quem não conhece vai achar o preço alto, mas posso dizer que vale a pena. É reconfortante ver que, para cada Baden Baden que é vendida para um grande grupo cervejeiro, deixando consumidores apreensivos – ainda não sabemos se desnecessariamente ou não -, pode surgir uma nova produção de gente disposta a fabricar cerveja de qualidade.
No que depender de mim, estarei sempre atrás dessas produções, para degustar (principalmente, claro rsrsrsrs) e divulgar.
Cotação: de um a cinco, quatro figas e meia para a Dana Bier ter uma produção duradoura.
Escrito por Bob às 23h44
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Botto Bier Maligna (BRA, 600ml)

Senhores, contemplem! Esse rótulo aí de cima representa uma cerveja campeã. Trazida à luz (ou melhor, à garrafa, já que a luminosidade faz um mal danado à cerveja) pelo carioca Leonardo Botto, a Maligna, uma extra strong bitter, arrebatou o prêmio de melhor cerveja em sua categoria no 1º Concurso Nacional de Cervejas Artesanais, realizado no Rio de Janeiro, no meio de dezembro. Aliás, a produção do nobre ‘matou a pau’ e conquistou mais três troféus, com uma smoked amber lager (a Feiticeira), uma oatmeal stout ou stout com aveia (a Vídua Nigra) e uma american pale ale (a Cheirosa).
Por uma série de fatores racionais (plantão justamente no dia do concurso) e irracionais (macetar duas vezes o dedinho do pé no intervalo de algumas horas, o que causou uma fratura e uma quase-ida ao veterinário, para tratar da ‘patinha’ do jegue; só não fui porque podiam achar que não calcificava e colocar este que escreve ‘para dormir’ rsrsrs), não consegui ir ao evento. Gente boa, porém, o Botto mandou uma garrafa da Maligna via Correio.
Levei uma eternidade de alguns dias para prová-la (para efeito de comparação, um nobre colega, que recebeu outra, levou apenas algumas horas após a chegada para degustá-la). Mas valeu a pena. A primeira impressão foi no aroma: posso assegurar que era cheiro de uva – não de vinho, como por exemplo uma St. Druon, mas de uva mesmo. Depois de um tempo no copo, começaram a aparecer outros aromas de lúpulo. A coloração é de um marrom-escuro, mas não sólido. No paladar, chama mais a atenção o gosto do malte torrado, que é persistente, um amargor suave e um leve toque de álcool. A formação de espuma é média. Bom, depois desse trololó todo, o que interessa: realmente é uma cerveja fora de série, o aroma inicial e o gosto equilibrado (nada destoa, nem o torrado, nem o amargor, nem o álcool) foram as características que mais me chamaram a atenção.
Para comparação, embora as duas tenham suas diferenças, tomei em seguida uma 1999 da Baden Baden, também bitter, e também uma cerveja bastante boa. Ela tem uma coloração de marrom bem mais clara que a Maligna. A princípio, apresenta aroma de lúpulo, mas depois de um tempo, torna-se algo não-identificado e não muito agradável. Por outro lado, ela tem um amargor maior, além de ser um pouco mais carbonatada. No frigir dos ovos, porém, preferi a Maligna, principalmente pelo aroma.
Enfim, como estava sendo discutido na internet outro dia, há uma tendência a batizar cervejas com adjetivos femininos. Hoje, já temos Devassa, Leviana, Mundana, Cheirosa e Maligna. Vou repetir aqui o sutil e polido comentário que fiz diante dessa constatação: se a moda pega, o dia em que lançarem a Putana, então, vai ter filas quilométricas (rsrsrsrsrsr). Numa intervenção bem mais inteligente, outro colega, o Luiz Gustavo, filosofou: ‘No meio de tanta cerveja ‘vagabunda’, Devassas, Levianas e Mundanas são opções interessantes’. Digo mais: nessa lista aí, a Maligna leva uma boa vantagem sobre as demais, exclamação!
Cotação: de um a cinco, quatro ponto sete jurisprudências para que a produção do nobre colega advogado seja usada como referência em instâncias cervejísticas pelo País. E condução coercitiva à vara mais próxima (já repararam como a linguagem jurídica é repleta de duplos sentidos? Alguém está com tempo demais para pensar em besteiras) para quem insistir em lançar produtos ímprobos no mercado.
Escrito por Bob às 21h37
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