Latinhas do Bob
  

Lecker Cola, Banawá e Xereta Guaraná

(BRA, 350ml e 335ml)

Fazia tempo que eu não postava latinhas de refrigerante por estas bandas. Acho que estava sendo muito repetitivo com essa história de só tomar e falar de boas cervejas (rsrsrsrsrsrs). Pois então, estava indo para o trabalho outro dia e passei numa barraquinha de ambulante ao lado daquela loja que eu tinha visitado uma vez, “Ao camelô elegante” (certamente não é esse o nome, mas resolvi chama-la assim, até porque não tem nome na placa). Passei direto, mas resolvi voltar para olhar com mais calma. Escondida num canto da barraca, junto a churrasquinhos, calabresas e afins, estava a latinha do guaraná Xereta.

 

Já tinha visto a marca à venda numa máquina do metrô, mas não com esse desenho. Quando a comprei, fiquei um pouco receoso de beber, porque o dono da barraca insistiu em lavar com um jato d’água a lata antes de entregar. Acho que analisar refrigerantes é mais difícil que cerveja, porque as nuances são menores (ou pelo menos acho isso). Mas enfim, o guaraná teve coloração dourada, boa formação de espuma e gás, aroma de tutti-frutti e gosto de guaraná e tutti-frutti, sem deixar gosto persistente na boca. Achei interessante, porque se assemelhou a tubaínas em geral, fugindo daquele padrão de Guaraná Antarctica, que às vezes é meio enjoativo.

 

O Banawa eu comprei num restaurante árabe perto de casa. Já tinha provado há muito tempo, e nem me lembrava do gosto, mas resolvi prova-lo novamente quando conheci a Microcervejaria da USP em Lorena, que produz cerveja com banana (leia mais abaixo). Aliás, nunca entendi por que catzo chama Banawá e não Banana ou algo do gênero. Pelo que pesquisei, trata-se do nome de uma minúscula tribo indígena brasileira, reduzida a menos de 50 integrantes, e também o sobrenome de uma cantora. Acho que a resposta não está ligada a nenhum dos casos. Ou estaria ao dos índios e a latinha também estaria em risco de extinção. Além do mais, o que diabos faz aquele tucano pousado no logotipo? Referência política subliminar?

 

Enfim, o gosto e o aroma me lembraram bastante daquele tradicionalíssimo suco de saquinho, o Mamy (ou Mupy, dependendo do local), que, após ser consumido, ainda podia ser inflado e estourado, alvoroçando o pátio da escola. Mas barulho mesmo fazia a caixa de Toddynho ao ser pisada (quem será que foi o precursor da idéia?) Tem cheiro de banana aberta há algum tempo, quando ela entra naquele estágio de escurecer, e gosto de leite com banana. Não é ruim, mas também não achei tão bom: talvez por achar que é mais saudável que um refrigerante, tomei sem reclamar.

 

A Lecker Cola, feita pelo mesmo impoluto fabricante da cerveja Lecker (brrrrr...), eu achei escondida numa gôndola do Carrefour. De vez em quando eles trazem umas coisas esquisitas, mas acho que se acanham de fazer propaganda e escondem. Norteña que é bom eles nunca mais trouxeram a R$ 5,50. Nesse caso eu acho que tenho mais condições de avaliar, porque a Lecker Cola apresentou qualidade inferior ao do refri-padrão, a Coca-cola. Falando bem a verdade, tem gosto de Coca-cola com maisena. A espuma, carbonatação e aftertaste são ok, mas o gosto, o principal, não caiu tão bem... pode ser que o “extrato vegetal” utilizado na Coca faça a diferença, seja lá o que for...

 

Cotação: quatro para o Xereta, três e meio para o Banawá e dois ponto nove para a Lecker Cola. E quatro corridas ao cartório de patentes para registrar a idéia de “degustador de refrigerante”. Será que também existem “mestres-refrigereiros”? A ver, a ver...



Escrito por Bob às 22h37
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Cidade Imperial Pilsen (BRA, 350ml)

Provei essa cerveja logo que ela chegou aqui em São Paulo, trazida pelo Bar Anhanguera (www.baranhanguera.com.br), na Lapa. Ela é feita em Petrópolis, numa cervejaria administrada por Francisco de Orleans e Bragança, ou melhor, Dom Francisco, bisneto da princesa Isabel e descendente da família imperial, como o sobrenome já mostra, além de colecionador de bolachas de chope. E eu que achava que eles só eram ligados na cachaça (outro membro da família é dono de uma produção famosa de aguardente, antes que alguém ache que se trata de comentário maldoso; um outro ainda tentou montar uma vinícola, mas ela não está mais em funcionamento).

 

Os mestres-cervejeiros são um alemão chamado Frank Schmieder, ex-Heineken, e o paulista Rafael Farinha Neto, último cervejeiro da antiga cervejaria Bohemia, que, contam, está bem acima da “xará” que existe hoje, feita por uma certa multinacional. A cervejaria Cidade Imperial, que abriu em 1997, já vendia chope claro e escuro no Rio, e, no final de 2006, resolveu engarrafar a produção do pilsen.

 

A primeira degustação foi no bar mesmo, com um acompanhamento nada harmônico de batatas fritas com molho de queijo e pimenta. Mesmo com um prato mais forte, a cerveja segurou bem. É uma pilsen mais forte do que as brasileiras, com aroma e gosto de malte, e um amargor mais acentuado que as nacionais, mas não no mesmo nível de congêneres importadas. Em casa, tomei mais uma garrafa, sem acompanhamento, e as características de malte foram mais sentidas, mas o amargor não se alterou muito, não. Enfim, é uma cerveja bem agradável, que tem a “grife” Petrópolis e família imperial. Não é a melhor pilsen que eu já tomei, mas garante uma boa diversão, isso sim. Custa R$ 4,80 a garrafinha long neck no Anhanguera.

 

Cotação: de um a cinco, quatro declarações de “Diga ao povo que bebo”, parafraseando a célebre frase. E não, não vou imaginar uma degustação às margens do córrego Ipiranga, até porque seria impossível sentir algum aroma com a poluição e a fumaça no local nos dias de hoje.



Escrito por Bob às 21h21
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Baden Baden 20 anos (BRA, 600ml)

Outro dia abri a primeira garrafa do meu estoque de Badens feitas antes da venda para a Schincariol (como já tinha contado uns posts abaixo). A 20 Anos, até onde sei, só é vendida lá em Campos. É uma porter bem boa, de um negro sólido, com aroma de café e malte torrado, com um fundo levemente adocicado, e espuma generosa e marrom. No gosto predomina o malte torrado e café. Um detalhe curioso é que ela fica bem melhor se deixada alguns minutos fora da geladeira antes da degustação. Logo de cara, o gosto fica um pouco escondido com a cerveja fria.

 

Não me lembro muito de outras porters para comparação, mas achei um pouquinho melhor que a da Zehn, que também considero muito boa. Mas é preciso dar um desconto para a catarinense, que rodou muito comigo numa visita-relâmpago no ano passado antes da degustação. Ainda vou prova-la de novo, até porque não pude conhecer a Bock quando estive por lá.

 

Cotação: de um a cinco, quatro ponto três twists carpados para a Baden e quatro ponto um mortal triplo para a Zehn (não me perguntem por que dois décimos, também estou começando a achar essas notas quebradas bizarras, do tipo ginástica artística ou mergulho, mas achei injusto dar meio ponto de diferença entre uma e outra).

 

Som do post: “Estilo Hitchcock”, do musical Psychoklahoma, interpretado pelo Zorak. Que, aliás, é o “mascote” do blog, graças a tiradas como “Posso ajudá-la... A MORRER?” ou "Vou colocá-la no quarto número um, porque um representa ASSASSINATO!" Detalhe: isso tudo vestido como Norman Bates (com direito a vestido e peruca na cena do chuveiro). 

Ou ainda: - Quero chiclé, quero chiclé, quero chiclé...

(Space Ghost) – Zorak, mas você sabe o que é chiclete?

- Não. Mas eu quero!

Sem mais comentários...

 

Link: http://www.youtube.com/watch?v=CXLRPMe_3Zo

 



Escrito por Bob às 22h42
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La Trappe Blond (HOL, 500ml)

Já tinha tomado essa cerveja –uma trapista holandesa, por sinal a marca é a única do gênero naquele país - há alguns meses, de forma bem “herege”: o Valtinho, colega do trabalho, trouxe uma garrafa de 750ml. Deixamos ela resfriar em um frigobar bem meia-boca (poderia bem ser considerado uma adega climatizada, porque só chega a uns 10 graus; mas há oscilações constantes de temperatura geradas pelo abre-fecha da porta para retirada de presuntos, patês e toda sorte de guloseimas para lanchinhos no expediente. Para finalizar o sacrilégio, bebemos em copos sanfonados de plástico. E, ainda assim, a cerveja pareceu muito interessante, com boa formação de espuma (boa parte graças ao plástico), aroma frutado e adocicado e sabor idem, com gosto bem pronunciado de cravo também. Depois, ainda a provei no Café Tortula, em Santo Amaro, também com resultados bastante satisfatórios.

 

Pois outro dia tive a oportunidade de um “bis”; ganhei uma garrafa de 500ml, daquelas de cerâmica, com os dois copos “oficiais” para degustação. No começo, a cerveja se comportou como sempre: aroma doce, onde se percebe banana e cravo, coloração dourado-escura, e gosto também adocicado, de cravo e consideravelmente alcoólico. Mas aí senti duas diferenças ao deixar a cerveja “descansar” um pouco no copo: primeiro, a espuma, que começa forte e cremosa, vira uma fina lâmina sobre o líquido. Até aí, tudo bem. Mas o maior problema foi sentir que a cerveja perdeu “força” – leia-se carbonatação e corpo, ficando um pouco aguada. O ideal foi consumi-la sem muita demora, para manter as qualidades da cerveja. Acho que vai ser necessário fazer outro teste, pelo bem da ciência; só espero que não seja uma cerveja “mulher de malandro”, que gosta de “apanhar” um pouco em condições não-ideais para render. Haja chauvinismo.

 

Cotação: de um a cinco, quatro raquetes de tênis (da série Vale a Pena Ver de Novo com a impoluta Helena Ranaldi e o sósia do Tom Hanks) para a La Trappe Blond nas duas primeiras degustações e três adaptações e meia da frase atribuída a Nietzsche (“Vais ter com as cervejas? Não esqueças o chicote”) para a segunda.



Escrito por Bob às 23h08
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Spitfire (ING, 500ml)

Pode parecer bizarro, mas, em pouco menos de um ano de degustação de cervejas a sério, nunca tinha conhecido a Belgian Beer Paradise. É o quartel-general do belga Xavier Depuydt, que importa uma quantidade considerável de cervejas de seu país e revende outras. A loja aqui de São Paulo reabriu há alguns meses (é uma filial da carioca); apesar de terem um site (www.beerparadise.com.br), eles não colocam nele variedades de fora da Bélgica, caso da inglesa Spitfire.

Já tinha ouvido falar dela, sem dar muita bola, até que o Guedes levantou a bola outro dia, contando o caso de um amigo que adorava a tal cerveja, mas não encontrava mais. Algumas horas depois, já estava na Rua Normandia, que tem uma quadra só e uma renca de lojas chiques.

Quem entra na Beer Paradise dá de cara com uma prateleira coalhada de garrafas de Deus. O estoque, apesar de meio defasado no começo do ano (sem Orval, Westmalle e afins), é bastante interessante – há cervejas nas variedades 750 ml e 330 ml, e essa segunda opção – apesar de poder ter diferenças de qualidade com as garrafas grandes – facilita um bocado a vida de quem quer conhecer cervejas novas em quantidade, para depois comprar as que mais gostou em volumes maiores.

Mas é preciso cuidado com os preços: as Paulaner são um exemplo. Lá, cada uma custa bem mais de R$ 10, e no Wal Mart as mesmas cervejas são vendidas por R$ 5,20 (a Munich Hell, Weissbier Naturtrub e Dunkel Weissbier) ou R$ 6,93 (Salvator). A Lust sai lá por R$ 75, quando no Pão de Açúcar é vendida por R$ 10 a menos. Enfim, o ideal é se concentrar nas cervejas que são importadas diretamente pela loja (onde, em tese, os preços devem ser proporcionalmente mais baixos). Também há materiais correlatos, como bandejas, bolachas (a R$ 0,50 cada) e abridores.

Comprei algumas cervejas, mas até agora provei apenas a Spitfire, que sai por R$ 15,50 a latinha de 500ml. Logo ao abri-la, fiquei espantado: um aroma absurdamente bom de lúpulo, como se você estivesse cheirando os próprios grãos dele após o processamento. Fiquei uns bons minutos cafungando a lata, o suficiente para assustar pessoas que estivessem em volta (sorte que era apenas uma, já acostumada com essas maluquices). Marrom clara (ou cor de cobre, apesar de já ter ouvido classificarem ela como dourada; devo ser meio daltônico...), a cerveja, uma strong ale, também tem o lúpulo no sabor (seria meio impossível que isso não ocorresse) e um amargor bem maior que, por exemplo, a Baden Baden 1999 sem, no entanto, virar uma coisa intragável. No fundo, um pouquinho de gosto de malte, mas o de lúpulo é infinitamente maior, e foi o que mais apreciei na Spitfire, feita desde 1990 pela cervejaria mais antiga em atividade na Inglaterra, a Shepherd Neame, em homenagem à Batalha da Bretanha, de 1940, onde aliados e alemães duelaram por cerca de quatro meses.

Cotação: de um a cinco, pode desenhar quatro aviões vírgula quatro abatidos na lataria da Spitfire, também nome de um avião da Segunda Guerra. E um guia cervejeiro local para localizar os preços mais corretos.



Escrito por Bob às 21h40
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