Latinhas do Bob
  

EM CIMA DA HORA: QUIZ!

O que é, o que é: é bebida, carbonatada, tem espuma (espera-se) e está cercada de mistério até a terça-feira à noite. Trata-se de uma promessa de "lançamento internacional" da Ambev. Diante da falta de informações (há muitas especulações e um dado pouco provável), resolvi abrir, inspirado na discussão lançada pelo nobre colega Ricardo Amorim (www.cervejaso.blogspot.com), um quiz sobre qual será esse lançamento. O que você, ilustre leitor, ganha em troca? Me comprometo a arrumar um exemplar da tal novidade e entregar a quem acertar como prêmio. O prazo para apostas vai até o final da tarde de terça, ou, se a notícia "vazar" antes, no momento em que eu tomar conhecimento (bem objetivo esse último critério, aliás). Curioso com a especulação, que inclusive foi tema do bate-papo-degustação hoje à tarde (leia abaixo), liguei para um colega à noite e ouvi a mais bizarra das respostas: em termos de fábrica, a única novidade que a parte industrial da Ambev prepara é a Brahma de um litro. Putz! Não quero acreditar (o bom-senso diz que não fariam um carnaval por uma mísera garrafa; além disso, a novidade pode ser importada, não feita aqui), mas vai saber... afinal, a Brahma não é vendida em 30 países? De maneira infame, não deixaria de ser internacional. Pelo menos a garrafa teria utilidade no dia do lançamento, para arremesso e à la Mario Gomes para o autor do mistério (rsrsrsrsrsrs). Para especular, vamos a algumas hipóteses e suas avaliações:

a) Leffe - até agora a favorita na bolsa de apostas. A cerveja belga integra a lista de marcas globais da Inbev (versão internacional da Ambev) e ficou mais difícil de achar por aqui após a criação da multinacional. Também seria a hipótese mais agradecida pelos apreciadores de cerveja (salvo se tiverem a idéia de produzir aqui no Brasil, à la Stella Artois). Pode brigar um pouco com a Bohemia Confraria.

b) Beck's  - outra marca da Inbev, mas menos provável que a Leffe. Não chega a chamar tanta atenção pelo estilo (na linha alemã-amarga), mas é uma marca em expansão, segundo a multinacional. Também consta da lista de produtos globais.

c) Norteña, Patricia e Pilsen - sugestão de um leitor do Cerveja Só. Dona da marca, a Ambev poderia acabar com a alegria dos importadores do trio uruguaio, que teve sucesso considerável por estas bandas.

d) Labatt - a canadense chocha viria para o Brasil. Não faz muito sentido, porque não tem qualidade para competir com adversários locais.

e) O litrão da Brahma - vade retro, Satanás.

f) Outros - à sua escolha. A minha, se pudesse optar, seria uma Staropramen tcheca. Não é uma Urquell, mas vá lá.

Enfim, diante da alta participação da última idéia que postei (já faz tempo, mas lembro que foi algo ridículo, uns seis bravos concorrentes), não espero muito dessa vez também. Mas vale a pena tentar (rsrsrsrsrsrsrsrs)

EM CIMA DO EM CIMA DA HORA: Pára que eu quero descer. As primeiras informações dão conta de que é a alternativa C. Ou seja, Norteña, Patricia e Pilsen. Qualitativamente, é chover no molhado, já que vc acha o trio em qualquer lugar (mercadão às pencas, restaurantes, casas de conveniência). Mas ainda assim são cervejas pilsen superiores a Antarctica, Brahma e afins... Quantitativamente, é interessante, pois deve levar à redução de preço (hoje na casa dosR$ 7 a  R$ 8 em mercados). O temor: que passem a fazê-la por aqui, ou mudem ainda mais a fórmula para não brigar muito com as pilsen nacionais. Aí a coisa fica feia mesmo... Mas, diante do 'déja vú' cervejístico, fica a questão: Por que não trazem a QUILMES então? Curiosamente ela "sumiu" das prateleiras locais depois de que a fábrica foi comprada por você-sabe-quem.  



Escrito por Bob às 22h25
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Dana Bier Weiss, Dunkel Weiss e Falke Monasterium (BRA, 660ml e 600ml)

 

                  

          EVELSON DE FREITAS/AE    

Tinha mesmo de ser num dia de eclipse da Lua, presságio de coisas boas (ou ruins, vai saber, não sou muito fã de astrologia; ainda dito minhas ações pelos bilhetes que o periquito do realejo me entrega), a realização do primeiro encontro conjunto de degustação entre blogs cervejeiros. Depois de um certo tempo, vários apreciadores de cerveja – este que escreve incluso – começaram a colocar no mundo virtual suas impressões sobre os mais destacados exemplares da nobre bebida. E também sobre muitos líquidos nauseabundos da família (um de meus passatempos). Por isso, suponho, o nobre colega Edu Passarelli (www.edurecomenda.blogspot.com) teve a idéia do convescote, ao qual compareceram ele, eu e o Ricardo Amorim, do Cerveja Só (www.cervejaso.blogspot.com), que levou o nobre companheiro Pedro para fazer a filmagem do evento.

 

O local escolhido foi o Drake’s Bar, sede do Consulado Britânico, em Pinheiros, que serve a Drake’s Golden Ale, feita pela Nacional FT, sobre a qual já escrevi há algum tempo por estas bandas. Acompanhando a degustação, estava o proprietário, o chef australiano Greigor Caisley. No cardápio, além, é claro, das Golden Ale do Drake’s, duas paulistas (as Dana Bier Dani Weiss e Teresa Dunkel Weiss, também já apresentadas neste humilde diário eletrônico) e a piéce de resistance do dia e novidade, a Falke Monasterium, uma Tripel feita pela cervejaria Falke, de Ribeirão das Neves, em Minas.

 

Antes de falar das cervejas, vou quebrar o protocolo e comentar o momento mais divertido do dia. Na mesa ao lado da nossa, estava nada mais nada menos que o repórter global-televisivo Márcio Canuto. Ou melhor, Márcio ÁÁÁQUIIIIIII!!! Canuto, com seu indefectível sotaque e voz modulada (um dos meus projetos de voz para caixa posta de telefone, junto com a do doutor Enéas). O cidadão degustava quietinho uma Coca-cola light, até que o Pedro resolveu convida-lo a participar. Diante dos elogios da mesa, emendou: “O melhor repórter da Globo eu não sei, mas o maior, com certeza (ele tem fácil uns 1.90m).” Ofereci um copo da Teresa Dunkel; ele, fazendo malabarismos com o bigode,  avaliou: “Essa cerveja tem menos álcool que as outras, não?”. Diante da negativa, no bom humor, disse que não entendia muito do assunto – “Eu não bebo, mas tenho cara de cachaceiro”, já tinha dito, gerando risos. Lá se foi a chance do João, fabricante da Dana, ganhar um garoto-propaganda de peso.

 

Voltando às cervejas, Weiss manteve a característica de ser bastante lupulada, fugindo um pouco da característica da variedade (o que não quer dizer que não seja agradável, pelo contrário). A Teresa Dunkel mostrou-se um pouco mais forte que na última leva que provei, com o aroma e gosto de malte torrado ocupando mais o espaço de um cheiro de chocolate que tinha sentido na vez anterior. Mais encorpada e com mais espuma, teve melhor desempenho entre os degustadores.

 

A melhor cerveja do dia, porém, foi mesmo a Monasterium. Primeira tripel comercial do Brasil pelo que sei (homebrewers já fabricam o estilo, mas o acesso a essas cervejas é extremamente reduzido). Com cor de cobre e espuma intensa e homogênea, tem um aroma frutado forte (que pôde ser sentido antes mesmo de aproximar o nariz do copo, com uma brisa). O gosto segue esse padrão, com um pouco de álcool e algo condimentado (não, não é pimenta pura, e sim algo que “cutuca” a língua, uma sensação interessante). Me lembrou muito a belga Urthel. Ela deve começar a ser vendida em São Paulo nos próximos dias.

 

Depois de tanta cerveja, nada melhor do que... trabalho.Tão emocionante quanto tirar o dente do ciso. Depois de alguns copos de café (o equivalente a um baldinho de praia), voltei ao padrão normal de atenção, Mas deu tempo de dar uma espiada pela janela e ter uma vista privilegiada do eclipse da Lua, que atinge seu ápice no momento em que termino o texto.

 

Cotação: de um a cinco, quatro para a Weiss, quatro ponto dois para a Dunkel e quatro e meio para a Monasterium – é bom saber que há empreendimentos brazucas pensando em ‘tecnologia de ponta’ na fabricação de cervejas. E, pela ordem, cinco apartes pedindo nova sessão ordinária para avaliação de degustações na pauta. 



Escrito por Bob às 20h00
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Cajuína São Geraldo (BRA, 1 litro)

Ok, ok. A garrafinha é pet, o rótulo e a tampinha são de plástico (embora exista uma versão em vidro) e,tem gente que fica de cabelo em pé com “degustação” de refrigerantes (rsrsrs). Mas o fato é que a Cajuína São Geraldo (http://www.cajuinasaogeraldo.com.br/), de Juazeiro do Norte (CE), é um dos refrigerantes top que eu já provei, junto com a Cotuba e o Guaraná Jesus. Trata-se de um refri de caju (ou melhor, com uns 5% de suco de caju). Compro sempre lá no Mercadão, onde só é vendido em uma barraquinha de fundo.

 

E nada melhor que a tradicional pizza de plantão na noite de sexta para combinar (ou rebater) com a Cajuína. Depois de dois pedaços de uma margherita cujo recheio ficou parcialmente grudado no teto da caixa e dois de cogumelo com alho que têm efeito depressivo (cada dia mais chegou a essa conclusão), mandei ver parte de um litrão do refri cearense.

 

A primeira impressão é de que ele é doce pra dedéu, bem mais que qualquer guaraná. Mas tem um gosto bem parecido com o de tubaína e um fundinho de caju, o que o diferencia de cara dos outros refrigerantes. Não é muito carbonatado, nem forma aquela espuma de transbordar do copo. O gosto também não é muito persistente, e, como na maioria dos refrigerantes, o amargor é zero. Considero que teve uma boa “drinkability”, apesar de colegas terem ficado meio mal por conta da overdose de doce.

 

Cotação: de um a cinco, quatro ponto três pedidos a Padre Cícero para que continuem a produção. E cinco tampões de ouvido para a música Cajuína do Caetano (ta, ta, ele tem músicas legais, mas realmente...)

 

EM CIMA DA HORA! LÍQUIDOS EM MALA DE MÃO SÃO PROIBIDOS EM VIAGEM INTERNACIONAL

Eis aqui um alerta e serviço de utilidade pública para cervejeiros em trânsito áereo. A partir de 1º de abril (sem piadinhas sobre a data), será proibido o transporte de volumes líquidos acima de 100 mililitros nas bagagens de mão em vôos internacionais no País. As exceções são mamadeiras, remédios e bebidas compradas em free shops, estas últimas desde que em sacolinha lacrada e com nota fiscal de compra do dia do embarque (santo lobby! se o cara quer colocar uma bomba no avião, não vai ter problema em pegar uma sacolinha de free shop e comprar uma bebida similar para ter a nota; acho que estou vendo muito 24 horas). Logo, se trouxerem cervejas de fora do País, soquem elas na mala despachada e torçam para que chegue inteira.  



Escrito por Bob às 22h52
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Mythos (GRE, 330ml e 500ml)

Quando já estava começando a sentir falta do hirsuto Tony Ramos e seu vocabuláro cheio de ‘zês’ (tipo dona Zúlia, dona Zúlia)  no papel do grego Nikos em uma dessas novelas que sou obrigado a ver no trabalho (parte pela inércia  pós-Jornal Nacional, parte pela falta de jogos da segundona e parte porque tem mulheres aqui que insistem em ver essa joça), dei de cara com uma surpresa da Grécia esta semana.

 

Depois de dar com os burros n’água numa pesquisa que fui fazer no Centrão (por motivos não-cervejísticos), resolvi dar uma esticada no Mercadão. Se alguém ainda pensa em ir lá atrás de cervejas diferentes, tenho de dizer que a coisa está feia. São as mesmas Norteñas, Erdingers e Warsteiners de sempre; lojas que vendiam cervejas nacionais diferenciadas desistiram. Barriletes de cinco litros? Nem sinal. Uma novidade que vi lá (mas que já tinha comprado em outra visita) é a Super Bock portuguesa, nada atrativa, diga-se de passagem.

 

Pois não é que, passando pelo lado dos açougues, passo diante de um box com o sugestivo nome de Tio Ali? Para quem não se lembra ou conseguiu arrancar da memória, trata-se do personagem de Stênio ‘Carga Pesada’ Garcia na indeglutível novela O Clone, aquela em se viajava do Rio ao Marrocos em quinze minutos, em que tudo era motivo para um “Inshalá” e onde, se você mijasse fora da bacia, ia “arder no mármore do inferno”. Lembro que o Tio Ali, ou melhor, o Stênio, se deu mal no meio da novela, vítima de dengue (uma das fotos mais bizarras que já vi num jornal, do infeliz estirado num sofá, fazendo ‘jóia’ para a câmera).

 

Depois dessa digressão novelístico-podreira, voltamos aos temas cervejeiros. Na tal loja Tio Ali, entre produtos importados e especiarias, havia uma pilha de latinhas e uma fileira de garrafas da cerveja Mythos, até onde sei, a única grega importada por estas bandas, que vai completar dez anos de fabricação agora em maio. Logo depois de me empolgar com a descoberta, bati os olhos no preço: ainda usando outra expressão bizarra da novela do Tio Ali, os valores “não eram brinquedo não”. Onze pilas a garrafinha e sete e cinquenta a latinha. Fazer o quê?

 

Além de pagar um preço consideravelmente alto em uma cerva desconhecida (com os R$ 18,50, seria bem feliz com uma belga ou uma artesanal brasileira de ponta), quase inutilizo uma das bichinhas. Coloquei a latinha no congelador para poder degusta-la, e, quando fui tirar, estava no limiar do congelamento. Esguichada de espuma à parte, ela aparentemente manteve as características. É uma pilsen, com 5% de teor alcoólico, de um dourado bem límpido (filtrada), bem carbonatada e com boa espuma. O primeiro aroma foi de lúpulo, mas depois só sobrou um pouco de malte. Infelizmente, o amargor segue aquela linha muito suave bem conhecida nas congêneres brasileiras. O gosto tem um quê bem fraco de malte, onde também sente-se o álcool. Enfim, uma pilsen bem-feitinha, que não fede e não tem gosto nauseabundo de química, mas que está longe de ter o amargor ideal ou se caracterizar por gosto forte de malte. Mas valeu pela latinha, a garrafa e a experiência de provar o produto de um mercado cervejeiro bem recente, que ainda pode melhorar. Ou não.

 

Cotação: de um a cinco, três ponto sete viagens internacionais-relâmpago de novela, mas para a Bélgica e República Tcheca, para recarregar o estoque de cervejas, e nota idem para a cerveja grega, que não evoluiu de Mythos para Realydadis (cara, isso ficou parecido com o Mussum falando).



Escrito por Bob às 21h57
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Emmery (BRA, 350ml)

Essa cerveja aqui em cima inaugura a seção “Cabô, mano”, que vou tentar atualizar com alguma periodicidade. A idéia é ter um espaço dedicado a cervejas que tiveram sua produção encerrada nos últimos tempos. O nome vem de uma expressão utilizada com freqüência por um colega de traballho, o Josmar, geralmente acompanhada de “A casa caiu!”

 

Pelo que soube, a Emmery, feita pelo André Nothaft, que começou a ser engarrafada em 2003 no Rio, parou de ser produzida entre maio e setembro de 2006. Como não sei os motivos exatos (o nobre cervejeiro ainda não retornou os e-mails), não vou especular. Mas o fato é que ainda há algumas poucas garrafas da versão pilsen (uma pena, porque eles eram, pelo que me lembro, os únicos micros a fazer Oatmeal Stout, ou stout com aveia, por estas bandas) espalhadas pelo mercado. Em São Paulo, pelo que pesquisei com a importadora, sobraram algumas no Tortula, em Santo Amaro. O pessoal de lá informou que o estoque era de 54 unidades. Era porque eu comprei meia dúzia outro dia. Como tomei duas, hoje a população estimada é de 52.

 

Diante desse número, fiquei pensando em comparações; gostaria dizer que, apesar de à primeira vista parecerem piada, muitas fazem pensar em problemas bem mais sérios que a nobre bebida, como desaparecimento de povos e espécies (às vezes a besteira, quem diria, também nos leva a tomar conhecimento de assuntos relevantes). O total de Emmerys disponíveis seria:

 

- Insuficiente para garantir uma garrafa a cada filiado ao PCO na cidade de São Paulo (são 64, segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral); seria preciso “socializar” o conteúdo

 

- Na medida para atender a todos os membros da tribo Jiahui, do Amazonas, estimada em 50 habitantes em dezembro de 2006. Sobrariam duas de bônus para o cacique; e abundantes para a tribo Juma, também do Amazonas, com seus 5 (cinco!) integrantes.

 

- Insuficiente em termos de garrafas (porque o conteúdo sairia pelo ladrão) para toda a população de ararinhas-azuis em cativeiro (ela foi considerada extinta na natureza no começo dos anos 2000).

 

Enfim, não me lembrava bem do gosto da pilsen quando a provei durante a “fase áurea”. Quando fui degustar a primeira das remanescentes, mau sinal: a cerveja já estava “morta” mesmo (o que serve de alerta para o Tortula: provavelmente a validade das Emmery já expirou há algum tempo, e isso pode criar confusão se algum consumidor foi reclamar). Não formava espuma e já apresentava aquele cheiro adocicado de cerveja que passou do ponto, mas ainda guardava algum aroma de malte. O gosto, porém, já tinha quase desaparecido: amargor zero, um mínimo de malte e adocicada. .

 

Na segunda garrafa, um pouco mais de sorte: talvez a cerveja estivesse ainda nos últimos suspiros. Essa formava bastante espuma logo ao cair no copo e depois ao ser agitada. A carbonatação estava OK, e o aroma de malte se manteve. No gosto, mais amargor (mas não tanto assim, acho que no padrão das brasileiras) e um pouco mais de álcool. Mas ela estava beeeem suave, não sei se já nasceu assim ou perdeu a força com o passar do tempo.

 

Problemas à parte, mantive o respeito que merece uma cerveja feita sem a avacalhação de muitas industriais. Mas gostaria muito de ter tomado mais as versões stout e oatmeal – em especial a última; alguém se candidata a manter a versão brasileira do estilo em produção comercial?

 

Cotação: de um a cinco, quatro coroas de flores para a finada (três e meio para a cerveja e mais meio de desconto pelo tempo decorrido até a degustação...antes tarde do que nunca). 



Escrito por Bob às 23h39
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Bonus Tracks: Quilmes 115 anos (ARG, 940ml)

 

Já tinha babado muito quando vi essa edição especial da Quilmes em comemoração aos 115 anos da cervejaria à venda, mas como ninguém foi para aquelas bandas na época, já tinha até desistido de consegui-la. Pois não é que outro dia um ilustríssimo colega cervejeiro/colecionador me presenteou com uma?

 

Já fazia algum tempo que eu estava “devendo” um rótulo catarinense para o Aldo David (aldodavid38@yahoo.com.br), colecionador de mão cheia, que publica diariamente um informativo com novidades em latinhas, garrafas, bolachas, copos, rótulos e o que mais se relaciona à nobre bebida. Quando postei as bolachas e rótulos repetidos da Argentina, aproveitamos para fechar uma troca. Achei que ia sair de lá com meia dúzia de latinhas. Ganhei uma caixa de sabão Ace cheia delas (quem coleciona saberá fazer a conta rsrssrsrs). Estávamos falando de coleção de garrafas, e comentei sobre a comemorativa da Quilmes, que nunca consegui. Inacreditável: o nobre tinha uma cheia. E repetida! Sensacional. Ainda mais porque vi que ela tinha vencido apenas em maio (lembrem-se que eu já provei, mas não “traguei”, cervejas vencidas há bem mais tempo) e, aparentemente, estava em condições ideais de armazenamento, sem luz e em temperatura amena.

 

Provei-a no dia do Oscar. Pois não é que a danada ainda estava boa? Manteve a formação de espuma, a carbonatação e o gosto. Sempre achei a Quilmes superior a qualquer cerveja industrial brasileira (até a Original), principalmente porque acho que ela tem sabor de malte e amargor bem mais pronunciados que as versões nacionais. Nesse caso não foi diferente.

 

Já com o “crime” perpetrado, gostaria de pedir desculpas aos colecionadores que guardam garrafas cheias. Pode ser uma “heresia”, mas para mim realmente é difícil ver uma cerveja “morrer” sem ser provada, em especial se é uma Quilmes, coisa rara por estas bandas. Acho muito bonito ver a garrafa lacradinha, cheia, com a tampinha, mas também considero a questão da degustação muito legal. Um consolo: guardei o lacre do pescoço, o contra-rótulo e o livretinho que veio amarrado ao pescoço com carinho, assim como a tampinha.

 

De qualquer forma, aprendi coisas muito interessantes sobre o colecionismo cervejeiro, como a forma de abrir latas pelo fundo para preservar o lacre e, principalmente, como abri-las por cima, embaixo da alça da borboleta, quando ela é de ferro (e se deteriora com a abertura inferior). Minha coleção, perto das grandes (leia-se acima de 5 mil latinhas) é uma merreca: cerca de 500 exemplares, umas dezenas de bolachas, rótulos, tampinhas. As garrafas são poucas, mas uma das mais bonitas que eu já vi hoje está na minha coleção.

 

Cotação: de um a cinco, quatro para a Quilmes (guardadas as proporções de “cerveja pilsen industrial”, claro) e dez para o nobre colega Aldo pela camaradagem. Ainda vou correr atrás de uns rótulos e bolachas novos para “agradecer” a Quilmes.



Escrito por Bob às 21h24
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Patagônia Amber Lager (ARG, 625ml)

Repare nessa cerveja no alto do vídeo (parafraseando um certo apresentador policial-televisivo). Ela parece artesanal ou industrial?:Pois é, a ausência de indicações do fabricante no rótulo e contra-rótulo deixa a dúvida, mas a primeira impressão que eu – e o colega que comprou a cerveja lá na Argentina – tivemos foi de que era de uma micro.

 

Em tese, é um meio-termo. A Patagônia é feita pela Quilmes, aquela cervejaria industrial argentina que produz uma pilsen homônima bem bacaninha e é ligada a uma certa multinacional com braços aqui no Brasil. A idéia é justamente ter uma cerveja no estilo artesanal feita em larga escala para competir com as empresas de médio e pequeno porte que também têm seus produtos artesanais. Pelo que pesquisei, a idéia inicial em 2006, quando ela foi lançada, era começar produzindo 300 mil litros mensais. Para termos de comparação, é mais que a produção da Eisenbahn, a maior artesanal brasileira.

 

A primeira impressão que tive é: “Que sacanagem com as pequenas artesanais!” Mas é claro que a Quilmes tem todo direito de fazer a cerveja que quiser, ainda mais se a cerveja em questão almeja ser artesanal (o que parece discutível, já que, no rótulo, indica-se a presença de “cereais adjuntos”; isso vai contra a Lei de Pureza, defendida pela maioria das artesanais de fato). Mas acho que o mínimo que a fábrica devia fazer era indicar que ela é produzida pela Quilmes. Será que isso ia espantar os consumidores? Aliás, será que se a Schin colocasse o logo dela no canto da garrafa da Baden Baden (que ela comprou recentemente) a vendagem iria para as cucuias?

 

Pesquisando mais, vi um argentino escrevendo que a Patagônia é vendida na mesma gôndola das artesanais “pequenas”, com preço bem menor. De novo, acho que vale a regra de mercado; há cervejas baratas e caras, e quem as aprecia saberá distinguir as que prestam nas duas categorias. Nesse critério, não achei a Patagônia lá grande coisa.

Trata-se de uma cerveja de cor marrom-avermelhada (é do estilo amber, com 4,5% de teor alcoólico), com espuma média. O aroma é de malte, adocicado e, bem no fundo, um mínimo de lúpulo. No gosto, porém, há problemas: ela é um pouco aguada, com sabor de malte muito fraquinho, amargor médio e um pouco adstringente. Resumindo: cheiro razoável e sem corpo.

 

Moral da história: não adianta esconder o fabricante, tentar se assemelhar a uma artesanal e, quem sabe, até gastar uma graninha a mais no processo de fabricação para se assemelhar a uma artesanal se a cerveja não é tratada como tal. Acho que a mensagem vale também para certo(s) caso(s) brasileiros de marcas artesanais antigas ou atuais, nas mãos de grandes empresas. Ah, e isso deixa a “Copa Roca” das cervejas num empate (considero a Patagônia no mesmo grupo de Acesso das cervejas, e, comparando, no mesmo nível das Devassas). Duas cervejas de qualidade (Gülmen e Beagle) e duas fraquinhas (Patagônia e Outro Mundo). A la muerte súbita...

 

Cotação: de um a cinco, três ponto dois tangos de despedida para a Patagônia. A música se estende para as cervejas argentinas que ganhei em geral, o estoque já era...



Escrito por Bob às 21h18
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Pepsi e Guaraná Kuat (BRA, 350ml)

Resultado de uma pequena “pescaria” de latinhas feita no final de semana. As da Pepsi encontrei num mercadinho perto de casa, mas suponho que toda a rede comercial brasileira já tenha também. Sempre fui mais fá das garrafinhas da marca, com aquele Yin-Yang meio estilizado, ou dois peixinhos, ou o que for. A dos emoticons (à direita) me pareceu mais bacana, cheia de pequenos detalhes, acho que no mesmi nível da nova série da Coca-cola. Em termos de conteúdo, literalmente, ainda prefiro a Coca.

 

A do Guaraná Kuat eu encontrei no Aeroporto de Guarulhos, onde matava o tempo outro dia (infelizmente, não para embarcar rumo à República Tcheca, Bélgica ou outro destino que o valha, em missões cervejísticas). O aeroporto, aliás, tem um bar interessante no primeiro andar (acho que o nome é On The Rocks), que tem uma carta interessante de cervejas, desde as Badens, passando por Schmitts, Heinekens (a Paco, garrafinha de alumínio, inclusa), Norteñas e inglesas. Ainda vi um cara desembarcando com uma caixa da Unibroue, cerveja artesanal canadense – quanta sorte...

 

Sobre o guaraná, vou me limitar a dizer o que o Didi e o Bart Simpson diriam numa situação como essa: “Biito!”. Realmente os desenhos passam longe de serem bacanas como os comemorativos da Brahma, mas ainda assim é item de colecionador. A cara do pivete, de um lado, e da mina, do outro, me lembraram ainda, citando outra velharia, aquelas contracapas da revista Mad (Alfred E. Neuman foi a grande inspiração de muitos escritores contemporâneos, creio eu), em que você dobrava o meio e aproximava os lados de uma figura, gerando outra totalmente diferente, em casos que iam de uma tevê a um vaso sanitário. Acho que ainda tenho o sensacional livro “Respostas cretinas para perguntas imbecis”, com seus muitos exemplos de como reagir a situações cotidianas da vida.

 

Cotação: de um a cinco, três respostas e meia direto do livro para perguntas capciosas como “onde eu coloco isso, então?” ou “onde eu vou sentar?”  Depois os outros que são mal-humorados...



Escrito por Bob às 22h28
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