Latinhas do Bob
  

Eisenbahn Rauchbier (BRA, 350ml)

Já tinha provado essa cerveja no bar/fábrica da Eisenbahn em Blumenau, mas, depois de um dia de degustações de Land Brauer e Berland, realmente as minhas parcas habilidades degustativas já tinham ido para o beleléu na ocasião. Por isso, resolvi fazer uma “revanche” quando a encontrei na prateleira do mercado outro dia.

 

Vou deixar a avaliação da cerveja mais para o final; por ora, basta dizer que a principal característica dela é o aroma e o gosto defumado. E foi justamente isso que me levou, logo ao abrir a garrafa, a pensar na combinação perfeita para a Rauchbier: Pingo d’Oro. Foi a lembrança mais imediata que tive ao sentir o aroma da cerveja. Para quem não sabe, ou não aprecia, o Pingo D’Oro é um salgadinho na forma de pequenas rodinhas, sabor bacon. Lembro de levar para a escola, na lancheira, um pacote de Pingo D’Oro e uma garrafa de água com groselha (também lembro de comprar uns biscoitos de groselha muito bons de um japonês que ficava com seu caminhão de produtos numa esquina da Augusta, mas depois que a cozinheira que fazia os tais biscoitos faleceu, nunca mais tentaram reproduzir a fórmula). Isso na época em que a Elma Chips não era pressionada a fazer salgadinhos “politicamente corretos” nem as crianças tinham uma tendência à obesidade de tanto comer “podritos” e ficar na frente da tevê.

 

Enfim, o Pingo D’Oro era o meu salgadinho favorito, top de linha, junto com Doritos e o Cebolitos. Entre os piores, até hoje está o Cheetos, que, tão logo é aberto, impregna o ambiente com um misto de vômito e chulé. O Baconzitos também é legal, mas vinha com alguns exemplares “petrificados”, acho que de tanto ficar no forno, duros a ponto de trincar os dentes. Há, também, os mais tradicionais, como os da Piraquê (um deles tinha a imagem de um pernil no pacote), Ebicen (o de camarão ainda é imbatível) e, ainda hoje entre os meus favoritos, os de arroz apimentados da Okki (pena que são bem caros).

 

O Pingo D’Oro, porém, se destacava porque vinha com um “bônus” que eu apreciava muito: em cada pacotinho, tinha pelo menos um que vinha totalmente torrado, quase preto, e, se ingerido antes dos outros, dava o “tom” do pacotinho. Era o que eu mais gostava: quem me dera se fabricassem um pacotinho só com os torrados. Essa versão “bem passada” seria a combinação mais perfeita para a Rauchbier da Eisenbahn.

 

Trata-de se uma cerveja de cor marrom escura, com pouca espuma e carbonatação média. O aroma é de malte torrado e, principalmente, de defumado. O gosto, também de malte torrado e defumado, além de se sentir um pouco de álcool. Depois de um tempo no copo, é possível perceber algo frutado tanto no aroma quanto no gosto. Uma dica, que percebi por acaso. Após terminar a cerveja, sinta o aroma do copo “seco”: é possível perceber com ainda mais clareza o defumado da cerveja. A fábrica ainda recomenda harmonização da cerveja com charutos, mas não é muito a minha praia. Só provei um uma vez, porque ganhei de presente e para imitar um certo banqueiro/ex-ministro/secretário que se parece com um certo ator da Globo, além de tentar fazer argolas de fumaça. Mas não acho a menor graça em fumar, enfim.

 

Cotação: de um a cinco, quatro ponto dois para a Rauchbier. E duas passagens para uma clínica de desintoxicação depois de comer tantos podritos na infância. De qualquer forma, vou comer um em “homenagem” à cerveja (rsrsrsrs)

 

PS: Eu sei que a foto está uma droga, prometo trocá-la depois...



Escrito por Bob às 16h23
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Baden Baden 20 anos (BRA, 600ml)

O que é isso? Déja vú? Mas a Baden 20 anos não tinha aparecido lá embaixo? Pois é, mas é com imenso pesar que anuncio que essa variedade não vai mais ser produzida pela Baden/Schin. E, com isso, entra para o panteão das cervejas extintas (ou Cabô, Mano, como já tinha classificado a variedade).

A princípio, a idéia era comemorar os 20 anos do bar, aberto em 1985. Mas a cerveja, uma porter, foi ficando até hoje. A idéia era fazer uma variedade nova para cada aniversário da Baden, de 21 anos, 22, 23... Agora, a empresa confirmou que a produção não vai seguir. Deixou em aberto a possibilidade de outras comemorativas, mas nada confirmado até agora.

Vou guardar com carinho bem multiplicado as três garrafas que ainda tenho (provei uma, que coloquei no post abaixo). E recomendo que quem cruzar com uma também guarde: vale a pena. Só tem um probleminha: ela é vendida apenas na fábrica e no bar, em Campos do Jordão.

Fico triste com a notícia, porque é uma cerveja muito boa. Espero que o mesmo não ocorra com a 1999, outra comemorativa. E, se ocorrer, que pare por aí, porque, senão, vou começar a acreditar que a coisa vai ficar feia mesmo...



Escrito por Bob às 15h05
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IPA Greene King (ING, 500ml)

Coisas que eu aprendi ontem sobre cerveja:

 

1) O melhor horário para degustação é de manhã, depois do café e antes do almoço, quando você está descansado e alimentado. E não na madrugada, depois de um dia insano de trabalho e alguns minutos depois de bater um rango no bandejão. (Mau sapão, mau sapão... obrigado pela dica, Cilene)

 

2) Se cerveja trapista com espuma de cerveja de trigo fosse uma boa combinação, alguma multinacional já a teria inventado (pois é, realmente foi um homicídio: mataram uma La Trappe).

 

3) Cerveja e fotos montadas de estúdio não combinam. Quando percebe que será fotografada, a cerveja imediatamente elimina toda a espuma do copo onde se encontra, levando fotógrafo, assistente e fotografado à loucura. Ou será que é porque a foto leva muito tempo?

 

4) Hipermercados têm um certo prazer sádico em deixar latas de cerveja importada nos piores lugares.

 

5) O chopp da Guinness é melhor que a cerveja em lata, mas eu ainda prefiro mais a La Brunette

 

6) É preciso provar as cervejas mais de uma vez para formar opinião sobre elas.

 

Foi justamente para seguir o item 6 que comprei a IPA Greene King no Carrefas no final de semana. Realmente precisam dar um jeito de mudar as importadas de lugar: quando fui pegá-las (comprei uma Abbot Ale também), as latas estavam quentes. Não em temperatura natural, mas quentes mesmo; não dá para tratar assim nenhuma cerveja, ainda mais as de quase 10 pilas.

 

Enfim, aparentemente a cerveja não sofreu grandes danos. Trata-se, como o nome diz, de uma IPA, ou Índia Pale Ale. Para quem não sabe (essa história já é bem manjada), trata-se de uma cerveja com bastante lúpulo e teor alcoólico, feita assim para agüentar o transporte da Inglaterra até a Índia, onde as tropas da rainha cuidavam da colônia.

 

Pouco carbonatada, a Greene King tem espuma média e cor de cobre. O que mais chama a atenção é o aroma de lúpulo, sim, mas em intensidade bem menor que o da Spitfire, por exemplo. Mesmo “cafungando” a lata, não se atinge o mesmo resultado. Também dá para sentir um aroma de caramelo. No gosto, lúpulo (sempre ele) e caramelo. A princípio não a achei tão amarga, daí a importância do “bis” de cervejas. Lembro que quando a provei pela primeira (e única) vez, achei muito ruim justamente pelo amargor – agora, pareceu boa. Mas fica melhor já quase sem resfriamento, fresca; aí sim, sente-se bem o amargor. Claro que, como toda regra, o “bis” pode ter exceções: geralmente, creio, elas envolvem cervejas menos impolutas...

 

Cotação: três ponto nove continências para a IPA e ‘el paredón’ para quem estoca indevidamente a cerveja.



Escrito por Bob às 13h41
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La Brunette (BRA, 355ml)

Do trio feito pela gaúcha Schmitt, é minha favorita (embora a ale engarrafada em vasilhame de um litro seja muito boa também, e precise reavaliar a Barley Wine, que tomei faz tempo). Primeiro, porque é um dos rótulos mais bonitos de cerveja brasileira, com a pin-up em preto e branco (achei dispensável a versão em que vestem ela com o uniforme amarelo e azul da seleção de futebol e queria muito que também tivesse trabalho artístico na tampinha dela, hoje branca). Aliás, foi o primeiro rótulo “difícil” (não sai com água) que consegui tirar pelo método de expor a garrafa à boca do fogão para derreter a cola. O resultado foi engraçado: acho que deixei tempo demais perto da chama, e a pin-up, de branquinha, ficou “bronzeada”.

 

Na mesma linha, gosto da tampinha da Devassa e do rótulo da Mundana. Mas preferia a morena gaúcha na versão baixinha e gordinha, estilo Caracu. Ah, estou falando da garrafa: nada de duplos sentidos maliciosos de conotação sexual (rsrsrsrsrs)..

 

Tomei uma ontem para fechar bem a semana. É uma stout, com 4,5% de teor alcoólico. Como de praxe, tem um aroma muito forte de malte torrado, lembra até um pouco de fumo. Depois de um tempo no copo, dá para sentir um pouco de caramelo também. A espuma é média e a carbonatação, idem. O gosto é de malte torrado (não tinha muito como não ser) e lúpulo. Considero ela um pouco melhor que a Stout da Baden Baden, apesar de apreciar bastante o gosto de café da jordanense e achar que a Bock da marca se pareça mais com essa gaúcha.

Cotação: de um a cinco, quatro ponto cinco 'fiu-fius' para a morena.



Escrito por Bob às 21h34
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Trois Pistoles (CAN, 750ml)

 

Pois é, para melhorar um pouco o humor depois do “lançamento” das uruguaias, uma cerveja um pouco mais bem acabada (não que Norteñas, Patrícias e Pilsens sejam ruins, mas existem melhores). A Trois Pistoles é da linha de cervejas canadenses Unibroue. É a segunda do fabricante que já provei (a primeira foi a Raftman, feita com malte de whisky, muito interessante).

 

É uma cerveja do tipo strong ale, de cor marrom-avermelhada, com 9% de teor alcoólico e espuma média, mas bastante carbonatada. O que mais me chamou a atenção foi o aroma: me pareceu bastante floral com um pouco de lúpulo. O gosto também surpreende: a princípio, é bastante frutado (fiquei com impressão de tutti-fruti, mas creio que é viagem), e um pouco de tempero (canela?). Depois de um tempo, sente-se mais o malte e, em menor proporção, lúpulo. Fato curioso: chegou a dar uma ‘travadinha’ no maxilar.

 

Também achei legal o fato de ser uma cerveja possível de ser conservada por longos períodos de tempo (no caso, a sugestão é de até nove anos). Bem que a característica poderia ser conferida às Badens. Estou mantendo um estoque pré-venda, mas não sei quanto tempo ele vai durar; além dos fatores climáticos, dependo também da força de vontade para não degustar uma por dia.

 

Cotação: de um a cinco, quatro ponto três tiros na mosca para a Trois Pistoles. Ponto também para o rótulo, com uma arte bem legal, vale a pena colecionar trabalhos assim quase tanto quanto capas de disco dos anos 70, do tipo de "Todos os Olhos", do Tom Zé, com a sugestiva bolinha de gude no olho que não vê o sol, por assim dizer (rsrsrsrsrsr)

 

BOA NOTÍCIA! BOA NOTÍCIA! BOA NOTÍCIA!

Tem Quilmes à venda em São Paulo:garrafas de 500ml. Pena que só recebi o folheto da promoção que vencia ontem na tarde de hoje. Tava R$ 3,99. Vamos ver se ainda sobrou estoque. No www.oemporio.com.br (não aparece no site, mas eu recebi um folheto com a imagem e o preço).



Escrito por Bob às 13h23
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