Latinhas do Bob
  

Riopretana - Bonus Tracks

Para completar a viagem, aqui vão as fotos da Riopretana (menos a do quero-quero, sacada em Treze Tílias-SC, a caminho da Cervejaria Bierbaum), que não "couberam" no post anterior...

Quero-quero: simpático e pernudo. Ao chegar à Riopretana, cuidado com o Boxer

Interior da fabrica: à esquerda, perto da geladeira, balança do "antes" e "depois" 

Vista frontal do balcão com os três tanques de cerveja: nada de pedir sem espuma



Escrito por Bob às 02h00
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Riopretana (BRA, chopp)

Cena 2: sábado, hora do almoço. Depois de três horas de busão até Rio Preto, pretendia realocar o traseiro do banco do coletivo para o banco do táxi, a fim de chegar o mais rápido possível à cervejaria (além da curiosidade, o estômago estava lá nas costas, ao estilo Pica-Pau). O que eu não imaginava é que a tal Rodovia Vicinal João Parize, sede mundial da Cervejaria Riopretana, era uma ilustre desconhecida para os moradores da cidade e, principalmente, para os taxistas locais. Pelo menos meia dúzia deles se reuniu diante do moleque que queria conhecer uma cervejaria sabe-Deus-onde. Abriram guia de ruas, mapa rodoviário da região, ligaram para conhecidos... nada.

Depois de algumas tentativas infrutíferas de ligar para a cervejaria, consegui finalmente falar lá. E descobri que a tal rodovia vicinal era conhecida como “estrada para Engenheiro Schmidt”, onde, soube depois, são fabricados os famosos doces Schmidt (para mim, ficaram ‘famosos’ apenas após ouvir o relato do taxista japonês que apanhei na rodoviária, mas vá lá, eu não fui conhecer a produção de doces, logo não posso comentar...). No caminho, fiquei pensando no porquê de a Riopretana ter adotado o quero-quero como símbolo. Para quem não sabe, trata-se de um simpático passarinho pernudo, bastante conhecido dos jogadores de futebol, por insistir em fazer seus ninhos nos gramados de centros de treinamento e atacar que se aproxima deles.

 

Quando o táxi se aproximou da região dos lagos, no caminho para a Riopretana, comecei a entender por que. A região é coalhada dos passarinhos. Se no trajeto não há placas indicando a cervejaria, os quero-queros à beira da avenida se encarregam da propaganda subliminar. Para manter a onda dos bichinhos, a cervejaria fica numa casa cor terracota, com um grande quintal ao lado. Se estacionar o carro em frente a ele, não se assuste. No terreno há um boxer não tão amistoso.

 

Ao chegar, a cervejaria estava quase vazia. Apenas um sujeito no balcão e um grupo que chegava. Mas pude perceber algumas curiosidades: uma delas é que, ao lado do refrigerador onde está outra bebida imperdível de Rio Preto, o Guaraná Cotuba, há uma balança digital. Para que serve eu não sei, mas vi algumas pessoas se pesando, quem sabe para calcular o “antes” e o “depois” do consumo das cervejas. A sede Riopretana fica em um grande salão, com balcão e mesas na parte da frente e fermentadores de 2 mil litros cada – a capacidade é estimada em 12 mil litros/mês - e outros equipamentos de produção da cerveja ao fundo, junto com a câmara refrigerada. A produção começou no final de 2005. A princípio, a cervejaria contava com o know-how da Universitária de Campinas, mas, pelo que este humilde blog apurou, houve desentendimentos e hoje a fabricação está a cargo do próprio dono. São produzidos três tipos de chopp: Cristal (pilsen), Red River (rio vermelho, uma red ale) e Black River, em homenagem à cidade (porter).

 

Sentei no balcão e pedi uma pilsen. Por conta da mudança no controle da produção (com a saída da Universitária) e pela “tradição” da região, pródiga em exemplares de Crystal, Bavária e afins, comecei meio com o pé atrás. Mas a pilsen até que é honesta, e melhora à medida em que vai chegando à temperatura ambiente, em termos de amargor e aroma de lúpulo. A Red River é bem jeitosa, com bom aroma de lúpulo e malte caramelo, mas comete um pecado grave: existe no mesmo Estado em que é fabricada a Red Ale da Baden Baden, no meu gosto imbatível até hoje na variedade. Falando sério, a Red River é uma cerveja legal, mas a jordanense gera uma “nota de corte” bem elevada nesse estilo.

 

A boa surpresa ficou por conta da Black River. Imaginei que, por ser feita em um lugar quente pacas, ia ser beeeem fraquinha. Mas não é. Tá bom, não chega a ser uma La Brunette (que, aliás, é uma stout, mas vá lá), mas tem bom aroma e gosto de malte torrado. O que mais me intrigou foi que o gosto inicial é adocicado (pirei achando que era de guaraná), mas depois predomina o malte torrado. É a melhor do trio e, por conta disso, pedi um “bis”.

 

No caminho de volta, aproveitei para pegar umas balinhas de café do taxista e desbaratar o bafo. Como não tinha pregado os olhos durante a noite, consegui cochilar no ônibus de volta (mais três horas...). Mas acordei com uma pergunta estarrecedora: “Mamãe, quando é que eu vou morrer?”, disparou a garotinha de uns cinco anos à aflita genitora, que tentou contemporizar: “Quando papai do Céu chamar você para ser anjinha, querida”. A menina não desistiu: “Mas e se o ladrão vier e me matar?” Como tentar dizer que isso não vai ocorrer se outro dia um garoto quase da mesma idade foi arrastado até a morte de carro por ladrões? Felizmente, um arco-íris apareceu para distrair atenções e aflições.

 

O dia, porém, ainda não tinha acabado. Afinal, era St. Patrick’s, e eu não faria uma comemoração devida sem uma Guinness (a Black River não contaria como tal). Felizmente, levei a irlandesa a bordo de uma garrafinha que havia recebido, e que foi relançada no mercado esta semana. Degustei-a depois de um churrasco (tentando evitar o chopp Ambev), acompanhada de brigadeiros. Acho que estou começando a gostar dela. Mas que a La Brunette é melhor, isso é. Enfim, quase perto da meia-noite, lembrei de um brinde irlandês lido em algum livro sobre cerveja, que guardei de memória por achar bastante aplicável:

May we get what we want, may we get what we need, but may we never get what we deserve”.

(Que nós tenhamos o que queremos, que nós tenhamos o que precisamos, mas que nunca tenhamos o que merecemos).



Escrito por Bob às 00h28
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Palazzo - Bonus Tracks

Como o ilustre sistema do blog não permite muitas delongas em um único post, vou adicionar este bonus tracks com dois fatos mencionados na história da visita à Palazzo. O primeiro é sobre o chopp e cerveja Gut, aquele da foto em preto-e-branco da Kombi usada para venda. Disse que devia ter mais de 40 anos. Errei um pouco. De acordo com informações do colecionador Carlos Quintella (www.mundodacerveja.com), dono do rótulo aí em cima, a Gut surgiu em 1976, como substituta da cerveja Poker, que fez bastante sucesso em Ribeirão Preto. Era fabricada pela Antarctica; o chopp, segundo o Quintella, durou pouco, e a cerveja sobreviveu até 1994.

Sobre a Palazzo, ficou faltando uma explicação: por que a cerveja recebeu esse nome? Trata-se do sobrenome da família fundadora, que também controla a Refrigerantes Jaboti. Em 2004, um dos fundadores, Adelmo Palazzo, faleceu em um acidente de ultraleve com um dos filhos. A empresa continuou sendo tocada pela família. A Câmara Municipal de Jaboticabal apresentou projeto para dar o nome de Adelmo a uma das vias da cidade. Na justificativa, um pouco da história da família e da empresa.

Link:http://209.85.165.104/search?q=cache:HpLSNWeU8WoJ:site.camarajaboticabal.sp.gov.br/alfawebjab/detalhes.jsp%3FCodigo%3D17629+%22rui+barbosa%22+jaboticabal+palazzo&hl=pt-BR&ct=clnk&cd=1&gl=br



Escrito por Bob às 22h16
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Palazzo (BRA, chopp)

Oquêêêê? Em pleno dia de São Patrício, melhor data no ano para o consumo de Guinness, em homenagem ao santo irlandês, este humilde diário resolve retomar suas andanças pelo interior do País afora atrás de microcervejarias? Calma, o espírito de Macunaíma ou dos modernistas não baixou por aqui, apesar de já ter dito que uma das prioridades deste blog é justamente a produção nacional. Foi apenas uma coincidência, ou um trinômio oportunidade (uma rara folga)-localização (cervejarias no norte paulista)-desculpa (uma reunião familiar).

 

Maravilhado com tal equação, peguei o busão da madrugada rumo a Jaboticabal, cidade com pouco mais de 70 mil habitantes, sede do Chopp Palazzo e dos Refrigerantes Jaboti (sobre os quais já falei brevemente, e pretendo retomar o assunto mais adiante). Apesar de, graças ao conselho de uma amiga, ter começado a meditar sobre como o gosto pessoal muitas vezes nos dá impressões erradas sobre uma cerveja popular tecnicamente bem-feita, não pude deixar de ter calafrios ao olhar o caminho pela janela do veículo. Afinal, na beira da estrada é possível ver um grande centro de distribuição da Crystal, perto de Campinas, uma fábrica gigantesca da Kaiser, em Araraquara (que inclusive dá boas-vindas em uma placa aos visitantes) e uma central de distribuição da Schincariol sei-lá-onde, porque já tinha perdido a referência e estava com sono. Segurei como a um santo a garrafinha de cerveja (boa) que estava levando na mochila e fiz o sinal da cruz (além de dar uma "banana" para cada local).

 

Sem pregar os olhos, cheguei, me instalei e, por volta de 9h15, já estava tocando a campainha da casa/galpão da Palazzo, no centro da cidade. Um senhor muito simpático abriu o portão e me apresentou ao Marcelo, o cervejeiro-prático. Segundo ele, a produção começou há sete anos, por volta de 2000, por influência (e treinamento) do pessoal da Colorado, de Ribeirão Preto. Hoje, contou ele, a produção média é de 20 mil litros mensais, sendo que, em dezembro, chegou a 60 mil, o que provocou suadouro nos responsáveis pela fábrica, que é mais ou menos assim:

 

 

O Marcelo disse que eles só produzem o chopp pilsen (segundo ele, sem cereais não-maltados). Se o cliente quer a versão escura, a transformação é feita no barril, com adição de corante caramelo e açúcar (ai, ai, ai... bom, se tem quem goste...), como pude presenciar in loco. Dentro da casa, além das chopeiras por todo canto, há uma parede com fotos. A mais interessante, disparado, é a de uma Kombi que era usada para vender uma cerveja/chopp chamada Gut. Ainda estou atrás de mais informações sobre ela, mas creio que tem pelo menos uns 40 anos.

 

 

 

Enfim, ao que interessa: a Palazzo fabrica uma pilsen bem suave, mas bem suave mesmo. Mas é possível perceber um pouquinho de aroma e gosto de lúpulo na danada, sim, um fundinho que quase escapa à percepção. O mais curioso (e triste) é que essa característica não agrada muito o consumidor local - o Marcelo disse que deve haver redução do lúpulo -, assim como não emplaca a versão não-filtrada do chopp, que pude provar e ganha em corpo e aroma (de lúpulo) da filtrada. De acordo com o cervejeiro, o bebedor jaboticabalense não gosta muito da cerveja turva, achando que tem algo errado nela.

 

Depois de provar a cerveja (e ver fotos de um cara que faz mega-esculturas com frutas usando faca, além de me divertir com a história de outro elemento que teve seu Orkut invadido e “recheado” de fotos perobas, para desespero do dito-cujo; tsc.tsc.tsc, isso não se faz...), segui às pressas ao próximo destino, pensando na avaliação da Palazzo.

 

A princípio, fiquei triste com as duas constatações - da rejeição ao lúpulo e à não-filtrada. Mas meu conceito sobre a Palazzo melhorou por alguns motivos. Primeiro, porque é uma produção local que deve ser valorizada (ou alguém prefere só ter como opção produtos de multinacionais?); se não é uma pilsen espetacular, é bem melhor que algumas cervejas industrializadas por aí. E, se eu acho suave demais, o público deles, que é quem sustenta a produção, gosta, e isso é o que importa. O mais contundente argumento é que, mais tarde, tomei chope de barril da Skol, e achei ele beeeem mais suave que o da Palazzo. Caso encerrado (e ponto para a Palazzo).



Escrito por Bob às 02h08
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