Latinhas do Bob
  

Fraga Dunkel Weiss (BRA, 500ml)

Nunca fui muito de sair para apreciar cervejas nos bares da vida; sempre preferi degustá-las calmamente em casa. Essa tradição anti-social tem algumas razões justificáveis, antes que alguém me associe ao demônio da Tasmânia ou algum outro bicho-do-mato. Primeiro, porque é bem mais barato tomar boas cervejas em casa (é a famosa diferença entre o preço do ponto de venda e o ponto de dose que os importadores usam como cálculo). Depois, porque em casa é possível controlar variáveis como outros aromas, limpeza dos copos e afins. Por último, acho que realmente devo ter sido criado por lobos.

Mas o fato é que, depois que passei a apreciar cerveja mais a sério, comecei a ficar mais assíduo em dois bares especializados em São Paulo. O Anhanguera e o Frango. São lugares bacanas, com boas cartas de cerveja e gente que entende do assunto. E, por conta disso, já estou naquela fase de conhecer o gerente, garçons e afins. Claro que não cheguei naquele nível (e creio que nem chegarei) de ter uma mesa própria ou uma cerveja própria (como a Zehn fez o Chopp do Horácio em Blumenau). E também não pretendo, quando bater as botas, ordenar que o cadáver seja mantido para sempre na geladeira das cervejas (daquelas com a porta de vidro, para ficar à vista dos freqüentadores) ou banhado em cobre para ser colocado sentado em uma das mesas, com um copo na mão, que deve ser abastecido periodicamente, para terror dos outros clientes. Ou ainda que as cinzas sejam colocadas junto com o ovo cor-de-rosa e os outros petiscos da mesa de buffet. Se bem que não deixa de ser uma boa idéia, é até turístico (há a lenda de um bar em Londres que, reza a lenda, tem em suas dependências a cova de uma mulher assassinada).

 

Enfim, depois deste nariz-de-cera gigante, vamos aos fatos. Na terça-feira, estive no Frangó em plena hora do almoço, mas para uma missão importante: fui provar a nova cerveja do João Gonçales, a Dana estilo belga (uma tripel, sobre a qual falarei mais adiante). E também degustar essa cerveja aí em cima, do Sérgio Fraga, da Cervejaria Fraga, no Rio, que foi trazida pelo colega Edu Passarelli (guardem, aliás, esse nome: em breve ele terá uma cerveja por estas bandas).

 

Depois de provar a tripel (sinto pelo mistério de novo), a Dani Weiss e a Mônica Ale, sobre as quais já escrevi, com o João e o Cássio Piccolo (dono do bar) – e isso por volta de 13h30, um horário, por assim dizer, pouco recomendável para a ingestão de alcoólicos por quem ainda vai trabalhar até altas horas -, fechamos o almoço com a Fraga.

 

A primeira coisa que me chamou a atenção nela, uma dunkel weizen, foi a cor: é de um marrom-avermelhado razoavelmente translúcido, o que dá à cerveja uma aparência muito bonita, junto com a espuma. Até agora, só havia visto cervejas do tipo de cor negra e sólida. O Fraga alegou que também há cervejas do estilo nessa cor, e citou a Franziskaner. O primeiro aroma também foi sensacional, bastante perfumado (uma pena que havia um mala sem alça fumando charuto na mesa ao lado, mas vá lá, também combina com alguns tipos de cerveja e, de quebra, tem um formato bastante apropriado se você quiser, gentilmente, que a pessoa o apague à revelia). O primeiro gosto também foi interessante, com uma nota de café (mas uma nota mesmo).  Enfim, gostei da cerveja, que veio numa garrafinha com rolha de porcelana, bastante rara por estas bandas.

 

Quatro provas de cerveja e um filé com risoto depois, saí de lá rumo ao trampo (sorte que é perto). Gostei dessa história de almoço com cerveja. O trabalho até fluiu melhor depois. Mas também acompanhar uma discussão de um certo vereador perguntando sobre o defloramento de outra certa vereadora, bem no meio do plenário, com transmissão pela TV, é algo que dispensa o consumo de álcool para parecer surreal. E render umas boas risadas. 



Escrito por Bob às 01h49
[] [envie esta mensagem]


 
  

Liefmans (BEL, 375ml)

Depois de mais uma viagem a local incerto e não-sabido (a serviço, que fique bem claro, o que não quer dizer que não envolva cervejas), vou aproveitar o fim do domingão para ir esvaziando os escaninhos. Por incrível que pareça, consegui nos últimos dias degustar mais cervejas que a capacidade de escrever por aqui – acredito, inclusive, que o primeiro fato tenha influência sobre o segundo (rs).

 

Comprei essa Liefmans Kriek no Beer Paradise, do Xavier, em Moema. Há muito tempo tinha a curiosidade de prová-la, por conta da mistura de frutas no processo. Até então, só tinha como fruit beer no currículo a cerveja de banana da Microcervejaria da USP em Lorena. Aproveitei, coincidentemente, outro domingão para tomá-la, assistindo Santos x São Paulo na tevê. Diante do aroma bastante agradável de cereja – e da qualidade duvidosa da partida -, meu cérebro decidiu passar alguns filmes antigos de memória. A primeira lembrança que tive ao provar a belga Liefmans – segundo o fabricante, feita com cerejas colhidas apenas uma vez ao ano, no final de julho - também é da Europa, mas de Portugal: a Ginjinha, ou licor de ginja, uma fruta que se parece com cereja, mas é mais ácida.

 

Provei a Ginjinha em uma cidade chamada Óbidos, mais conhecida por ter castelo e fortificações medievais. Era para ter passado também por Alcobaça, onde está enterrada Inês, aquela que já é morta, mas um carnaval bloqueava a estrada. Enfim, incautos, eu e a Gi tomamos uma mega-chuva em Óbidos, ficando completamente encharcados. Zombeteiro, o tempo ainda fez soprar um vento de congelar depois da pancada e chuva.

 

Entramos numa portinha para procurar abrigo; era um bar. Resolvemos pedir alguma coisa para esquentar, e o garçom sugeriu a Ginjinha, que também é produzida na cidade. As ginjas são deixadas no fundo da garrafa. Achei muito bom, principalmente por ser um pouco azeda e ácida – e também porque esquentou bem. Acabamos comprando uma garrafa para levar (o resto da viagem, diga-se de passagem, e, numa mala com Xerez, Frangélico e outra garrafa que não me recordo, pesava pacas; aliás, o imbecil aqui passou uns bons dias carregando as garrafas numa mochila para cima e para baixo durante os passeios, ao invés de deixá-las no hotel; realmente, é caso de internação).

 

Cotação: de um a cinco, quatro chicotadas de autoflagelação para deixar de ser masoquista e não ficar levando garrafas para passear em locais de fácil acesso, como torres de 100 metros de altura.

 



Escrito por Bob às 00h30
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Coleções e miniaturas, Política


HISTÓRICO
 08/07/2007 a 14/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006
 16/07/2006 a 22/07/2006
 09/07/2006 a 15/07/2006
 02/07/2006 a 08/07/2006
 25/06/2006 a 01/07/2006
 18/06/2006 a 24/06/2006
 11/06/2006 a 17/06/2006
 04/06/2006 a 10/06/2006
 28/05/2006 a 03/06/2006
 21/05/2006 a 27/05/2006
 14/05/2006 a 20/05/2006
 07/05/2006 a 13/05/2006
 30/04/2006 a 06/05/2006
 19/03/2006 a 25/03/2006
 12/03/2006 a 18/03/2006
 26/02/2006 a 04/03/2006
 12/02/2006 a 18/02/2006
 22/01/2006 a 28/01/2006
 15/01/2006 a 21/01/2006
 08/01/2006 a 14/01/2006
 01/01/2006 a 07/01/2006
 25/12/2005 a 31/12/2005
 18/12/2005 a 24/12/2005
 11/12/2005 a 17/12/2005
 04/12/2005 a 10/12/2005
 27/11/2005 a 03/12/2005
 20/11/2005 a 26/11/2005
 13/11/2005 a 19/11/2005
 06/11/2005 a 12/11/2005
 30/10/2005 a 05/11/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005



OUTROS SITES
 Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas - AcervaCarioca
 Associação de Incentivo à Cultura de Cervejas Artesanais e Especiais - AICCA
 Botto Bier
 Cerveja Fraga
 Bytes and Beer
 Cerveja Só
 Dana Bier
 Edu Passarelli Recomenda
 Hummmm, Cerveja!!!!!
 Obiercevando
 Olavo Pascucci (atenção: linguagem assaz obscena)