Latinhas do Bob
  

Botto Bier (BRA, 500ml e barril)

Tomando emprestada a expressão de um colega de trabalho, “o cara é um perigo”. Leonardo Botto, de 29 anos, advogado e cervejeiro caseiro, faturou quase todos os prêmios no concurso nacional promovido pela Acerva Carioca (Associação dos  Cervejeiros Artesanais Cariocas): na categoria livre, ele foi o primeiro colocado com a Feiticeira, uma Amber defumada, e segundo com a Vidua Nigra (uma stout com aveia). Na categoria Pale Ale, ele foi campeão com uma Extra Strong Bitter, a Maligna, e também ficou em terceiro com a Cheirosa, uma American Pale Ale.

Com essa bagagem toda, ele se bandeou no final de março para São Paulo, trazendo na mala um estoque considerável de sua produção para deleite de um grupo seleto de degustadores que incluiu o missivista deste humilde blog. Foram cinco cervejas, sendo que uma, a Sabá Negro (nome provável) pode ser a candidata no próximo concurso, previsto para 29 de setembro. De quebra, a degustação ainda teve a nova Índia da Colorado, feita com rapadura. Depois desse “banquete líquido”, foi assaz difícil retornar ao trabalho (sim, a degustação ocorreu no meio da tarde de quinta-feira, dia 29). Nada que uns terríveis cafés de máquina não resolvam. No sábado seguinte, ainda ocorreu uma “saideira” da Sabá Negro. E ainda fiquei com uma Feiticeira III na geladeira, esperando uma boa oportunidade para voltar a degustá-la.

Outra curiosidade da Botto Bier e o rótulo. Obra do cartunista Tibúrcio, que, entre outras coisas, faz trabalhos para a revista Mad (aquela em que edição sim, outra também, aparecia o Alfred E. Neuman na capa), ele retrata o nobre homebrewer como monge cervejeiro. No rótulo mais recente da Feiticeira, também ganhou versão em quadrinhos a mulher do Botto, a Tatiana, que inspirou o nome da cerveja.

Por incrível que pareça, o cara tem homônimo famoso em São Paulo: há um Leonardo Botto chef de cozinha por estas bandas, que, dizem artigos, faz sucesso com a mulherada. Por ora, ele ainda aparece primeiro no Google. Mas confio que o Botto carioca vira o jogo já, já. Como não sou apreciador da cerveja Boneca (aquela que você toma e desmunheca, segundo Hermes e Renato; francamente, prefiro uma Devassa ou a Amarcord La Puteña, rsrsrs, indicada pelo Luiz Guilherme, outro caçador de cervejas), ponho mais fé no cervejeiro. Leia abaixo entrevista do blog com ele:

Latinhas do Bob - Como surgiu a idéia de fazer cerveja em casa? Além do gosto por boas produções, houve alguma influência?

Leonardo Botto - Certamente, além do gosto pela bebida, houve influências. Minha bisavó, que era alemã e não tive o prazer de conhecer, há mais de 40 anos aqui no Rio de Janeiro já fazia cerveja em casa, com intuito de presentear amigos e familiares. Cresci ouvindo histórias das minhas tias e mãe de estouros de garrafas, que assustavam a todos, vindos do quartinho onde minha ‘bisa’ fazia e armazenava as suas cervejas.

Como você chegou aos equipamentos necessários para a fabricação?

Fui apresentado aos equipamentos pelos meus atuais amigos da Confraria do Marquês, com quem fiz um curso. Eles me indicaram os equipamentos básicos iniciais. Fazer cerveja não é difícil, mas requer muito cuidado e dedicação para obter o que se pretende. Mínimos detalhes provocam grandes diferenças; com a experiência, os identificamos e melhoramos o processo. Basicamente precisamos de dois caldeirões, uma colher grande, um fundo falso (que pode ser feito com uma forma de pizza com furos), um termômetro alimentício, um chiller (serpentina para trocar calor), um densímetro e proveta (para medir densidades e teor de álcool), um balde fermentador e uma máquina de tampinhas, além dos ingredientes.

Como foi a primeira leva? Deu certo? Aconteceu alguma coisa curiosa no processo?

A primeira leva foi excelente, e já deu muito certo. Não me lembro de nada curioso ou engraçado, exceto o fato dos cuidados exacerbados que tomei durante o preparo, cuidados hoje muito menores. Minha primeira leva foi uma Brown Ale feita com 4,1 kg de malte pílsen, 440 g de malte cristal 150EBC, 256 g de malte chocolate e 408 g  de munich, o que rendeu 18 litrinhos maravilhosos, que, assim como água no deserto, se extinguiram rapidamente.  

Em que espaço você produz suas cervejas hoje? Quantos litros têm cada leva? E quanto custa, em média (estimativa) cada batelada?

Inicialmente produzia em meu apartamento, na cozinha, num fogão comum de 4 bocas. Hoje me mudei pra casa da minha mãe, um pouco maior, que comporta meus freezers e equipamentos com mais comodidade. Em média, as levas são de 19 ou 20 litros. Quanto aos custos, depende muito dos ingredientes e da receita. Via de regra, usando ingredientes acessíveis aqui no Brasil, o custo fica em torno de R$ 40 reais por batelada, apenas de ingredientes.

Quanto tempo você leva para "ajustar" uma fórmula hoje? Quantos tipos de cerveja você já produziu desde que começou a fabricação?

Esta é uma pergunta difícil. A fórmula ideal é mutante, e vou ajustando-a de acordo com os resultados prévios obtidos. É fácil, todavia, porque não produzo pra ninguém, senão para mim mesmo. Então sou quem faço e também para quem destino o produto. Já produzi cerca de 30 tipos diferentes de cerveja. Algumas delas, por ter sentido uma identificação maior, produzi mais de uma vez.



Escrito por Bob às 20h23
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Botto Bier - continuação

Qual a melhor parte de produzir a própria cerveja? E a mais complicada?

A melhor parte, obviamente, é degustá-la com os amigos. Cerveja é como todo tipo de alimento, mais até por conta do valor social, de se beber com quem se gosta, especialmente em momentos felizes. A parte mais complicada é o cuidado indispensável pra se obter um resultado proveitoso, desde a escolha da formulação e ingredientes até a forma de servir. Por vezes parecemos obstinados demais, deveras cri-cri, na busca da cerveja perfeita.

Uma difícil: das cervejas que você produz, qual a melhor, na sua opinião?

Esta não é difícil. A cerveja que mais gostei, embora também goste muito da Vidua (Nigra), uma oatmeal stout (stout com aveia), foi a Feiticeira, uma cerveja lager, de baixa fermentação, defumada, cuja harmonia vejo como a maior marca. Gosto muito de cervejas defumadas, e nela consegui colocar um forte aroma e sabor defumados associados à presença do lúpulo, também marcante. Ainda é possível perceber o sabor de outros tipos de malte nela.

E dentre as cervejas em geral, qual a que nunca falta no seu estoque?

Meu estoque está sempre deficitário, por isso recorro ao Aconchego Carioca, um barzinho que nós da ACervA freqüentamos aqui no Rio. Não sou muito de beber em casa. Gosto muito, entretanto, da Strong Suffolk (Vintage Ale), da Paulaner Salvator, da Tradition e da Old Speckled Hen, citando estilos diversos.

Você ganhou prêmios no concurso de cervejeiros caseiros realizado no Rio de Janeiro em 2006. Diante do resultado, já pensou em comercializar a Botto Bier?

Já sim, como já até fiz. Mas, infelizmente, minha produção é muito pequena, ainda, e não consigo atender a todos os amigos que me pedem, que dirá os compradores, que também não têm sido poucos (hehehehe). Creio que, aos poucos, o sonho vá se tornando realidade. 

Que conselhos você dá para quem teve, agora, a idéia de começar a produzir cerveja em casa?

Leia muito sobre a história dos estilos que quiser produzir. Saber a origem, o porquê dos maltes usados, outros ingredientes e métodos é muito importante, mesmo que sirva apenas de base pra você montar o que pretende, de acordo com as possibilidades. Felizmente parece que surge hoje no Brasil uma perspectiva para o cervejeiro caseiro e o mercado do setor. A falta dessa perspectiva ainda é o maior entrave pra todos nós. A cerveja é muito mais do que uma bebida, é um símbolo cujo significado é dado por quem a faz.

Em tempo: Quem olhar com atenção para a coluna de links aí ao lado vai perceber uma novidade. É o blog Obiercevando (demorei um tempo para entender a sutileza, porque, por aqui, "cevar" quer dizer outra coisa rsrsrsrs), do Paulo Bettiol, mais conhecido como Feijão, de Blumenau. O cara aprecia e entende de cerveja. No cardápio até o momento, uma entrevista com o Juliano Mendes, da Eisenbahn, e uma visita pela Das Bier, de Gaspar, a "caçula" das fábricas catarinenses. Vale conferir.



Escrito por Bob às 20h20
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Visita a Ribeirão - Bonus Tracks

 

 

O fato de voltar a Ribeirão Preto me fez lembrar que esqueci de postar, na visita à Riopretana e Palazzo, um “achado” de beira de estrada. O posto em que o ônibus para nas viagens para a região tem produtos do Pingüim, o outrora famoso bar de Ribeirão. Achei lá uma caneca sensacional, comemorativa dos 40 anos do bar, com a alça em forma de “tap”, feita pela Ceramarte, de Rio Negrinho (SC).

 

Mas, devido à minha péssima tendência de, entre o bonito e o bizarro, às vezes escolher o segundo (também porque, nesse caso, o segundo era consideravelmente mais barato), comprei esta “belezura” de copo em formato de, bem, você-sabe-o-quê. Pode parecer tosco, mas aposto que uma certa cervejaria que usa nome de mulher nos produtos deve ter imaginado “por que não pensamos nisso antes”? Afinal, “ruivas”, “loiras” e “negras” ficariam mais realistas. 

 

Anatomicamente, o copo deixaria qualquer Barbie roxa de vergonha, o que, aliás, me fez lembrar de um trabalho de faculdade entrevistando um colecionador de brinquedos. Diante da opção massiva da indústria do divertimento infantil em adotar o "brazilian bikini wax" (leia-se depilação total) em suas bonecas, resolveu cortar mechas dos cabelos delas e colar "lá", para, digamos assim, ter mais diversidade em sua coleção. Depois de brindá-los com essa enriquecedora história, resolvi postar um ensaio sensual com o tal copo (a foto número 3 é a minha favorita hohoho).

 

Ah, e como achei o interlúdio inicial do post (leia-se encheção de linguiça por preguiça de escrever mais) da Fuller's interessante, resolvi mantê-lo aqui no final.

"Três horas, nove minutos e trinta segundos... TUM! Três horas, nove minutos e quarenta segundos... TUM!

Imagine assistir um canal onde a única imagem é um quadriculado em preto e branco, no estilo Atari 2600, com uma mulher (ou gravação-robô, acho que ninguém teria tanta paciência), repetindo a hora a cada dez segundos. Cheguei a ver umas vezes, mas não lembro em que canal. E isso bem antes de aparecer algo parecido no Lost. Na madrugada era de se pelar de medo, quase tanto quanto estar quase dormindo vendo TV e pular um Plantão da Globo, que começava com um silêncio e emendava aquela voz de final do mundo. A sinfonia de hoje, com a animação das câmeras, ainda levanta a adrenalina, mas nem se compara.

Também não gostava da propaganda dos cobertores Parayba, me deprimia no domingão à noite aquela musiquinha "Tá na hora de dormir, não espere a mamãe mandar...". No dia seguinte recomeçava a malíssima semana escolar. Prefiro dormir vendo Os Bichos, da TV Cultura, com seu som ambiente e narrador-sonífero. Como não passa de madrugada, vou ter de pregar os olhos na marra. Daqui a pouco, a parte dois de Ribeirão. Uaaaahhhh! Boa noite..." 



Escrito por Bob às 00h58
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Fuller's Honey Dew (ING, 500ml)

(CONTINUAÇÃO DO POST ANTERIOR)

Para quem não lembra, a Pratinha é aquela cerveja fora-de-série que apareceu em um post em janeiro, nas versões Munich Helles, Imperial Porter, Dubbel e Tripel, as duas últimas entre as melhores nacionais que já tomei. Dessa vez, ele trouxe duas cervejas novas: uma Amber e a Pratinha Dunkel, que já está à venda no Cervejarium, bar da Colorado em Ribeirão Preto.

 

Conversamos um pouco sobre a idéia da Índia com rapadura e a utilização de elementos típicos da cultura brasileira na cerveja. Ou, como disse o José Virgílio, dominar as técnicas de fabricação de cerveja vindas da Europa e Estados Unidos e, então, inserir o elemento brasileiro na produção. Isso me fez pensar que pode estar surgindo um movimento, entre fabricantes da nobre bebida, similar ao dos modernistas brasileiros, da Semana de 22 e do Manifesto Antropofágico: digere-se o que vem de fora e, com a cultura nacional, cria-se algo superior. Já há experimentos de cerveja com banana, mandioca, uma fruta típica da Amazônia (sobre essa terei de pesquisar um pouco mais), caldo-de-cana e, pelo que ouvi, outra grande surpresa nesse sentido pode surgir no mercado em breve (rs). Por isso, é bom guardar esses pensamentos no bolso do colete, pode ser que vire moda em alguns anos.

 

Enfim, digressões à parte, voltamos às degustações. A Amber, com 5,5% de teor alcoólico, usa maltes Viena e Munique. A cor, como o nome diz, é âmbar; a espuma é média e a carbonatação, de média para baixa. Tive dificuldade de captar os elementos da cerveja a princípio, mas tinha algo nela um pouco adocicado, familiar, que me deixou encafifado. Depois da prova, o José Virgílio revelou o “toque a mais”: xarope de maple, aquela árvore canadense. Nunca ia lembrar do gosto (só comi um chocolatinho com maple há muitos anos, não tenho o hábito de servir pilhas de panquecas no café-da-manhã, como os lenhadores do desenho do Pica-Pau), e provavelmente não foi ele que percebi na cerveja, mas mesmo assim achei a percepção curiosa.

 

Em seguida, veio a Pratinha Dunkel, já descrita no post abaixo, refermentada no barril, com um sensacional efeito de espuma semelhante ao da Guinness (não vou usar o Brahma Black como comparação porque a Pratinha é beeem mais que a espuma rsrsrsrs). E, por fim, provamos a Fuller’s Honey Dew. O aroma de mel dela é mais intenso que o da cerveja de trigo da Colorado, com um final de laranja, mas ele “cansa” depois de um tempo, e a cerveja perde em corpo para a brasileira. Não deixa de ser interessante, mas, pelo que já ouvi, a Fuller’s faz cervejas muito melhores, como a London Pride e a Vintage Ale.

 

Depois dessa farra cervejística, era hora de se despedir e voltar para casa; afinal, tratava-se de um bate e volta. Pegamos estrada à noite, e ainda tivemos de fazer uma peregrinação por postos de combustível porque nenhum aceitava a porcaria de cartão de abastecimento que deram ao Eliseu, o motorista. O imprevisto, porém, rendeu uma latinha nova da Tônica, num boteco de beira de estrada infestado de mosquitos, besouros e afins, e, quase, umas garrafinhas da Mãe Preta, da Belco. Trocando idéias com o dono do local e falando da coleção e da procura pela cerveja de São Manuel, ele abriu a geladeira e, pilhas de alface e outros legumes retiradas, mostrou uma reserva de cervejas diversas (ai, ai, ai, tomara que fossem para consumo próprio). Não tinha mais a Mãe Preta, infelizmente.  

Cheguei quase na virada do dia, depois de 15 horas de “trabalho”, com latinhas, a garrafa da Fuller’s e um mega-vergão no braço, culpa do Sol. Mas não posso deixar de dizer que valeu bastante a pena (rs).



Escrito por Bob às 03h21
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Colorado Índia com rapadura

e Pratinha Dunkel (BRA, barril)

Cara, hoje de manhã, enquanto ia (ou vinha) para o trabalho, fiquei pensando em como a atualização do blog está parecida com o Congresso Nacional. A comparação é bizarra, mas há um ponto em comum: os dois estão com a pauta absolutamente obstruída. Claro que não dá para comparar a qualidade das cervejas aqui apresentadas com uma Medida Provisória do PAC ou o alguma efeméride aberrante, como o Dia do Amigo ou algo que o valha. Mas o fato é que a quantidade de degustações tem superado em muito a disponibilidade deste escriba para leva-las a público. Felizmente.

As cervejas aí de cima eu provei em uma viagem a Ribeirão Preto no sábado retrasado. Tinha ouvido falar sobre a novidade na Índia da Colorado, provavelmente o melhor chopp nacional (se não for, é um dos três melhores), que passou a adicionar rapadura em sua fórmula, no lugar do açúcar mascavo, por sugestão do norte-americano Randy Mosher, um homebrewer, autor do livro Radical Brewing e de rótulos irados de cerveja (bem ao estilo antigoso, com desenhos que parecem pintados em uma tela, bem longe de alguns rótulos atuais, que parecem ter sido feitos num Traço Mágico colorido).

 

Como tinha pouco tempo disponível, apelei a um bate-volta no sabadão, de carona com o colega de trabalho Eliseu. Saí de casa de manhã, ainda a tempo de ver que os vizinhos não haviam se desfeito das fantasias de Carnaval (lá estavam elas no lixo, pretas e douradas). De São Paulo a Ribeirão, são três horas e uns quebrados de viagem. Fizemos uma parada em Leme, onde, com o instinto de caçador de latinhas, achei a nova coleção da Country (o refrigerante do boizinho), agora com latinhas pintadas, e não aquela coisa feia de capa plástica que encontrara em Blumenau. Também vi que, no boteco de beira de estrada, alguém se dedicava ao colecionismo de bebidas para outros fins: os caras tiveram a manha de fazer uma bandeira do Brasil com tampinhas de refrigerante.

 

 

 

E constatei que a lei que proíbe venda de bebidas alcoólicas nas estradas vai bem, obrigado – só no papel. Dois malucos pediram duas caipirinhas reforçadas à garçonete.Já pensando em ganhar vantagem antes que os distintos motoristas resolvessem pegar a estrada, voltamos à viagem. Solzão a pino, resolvi dar uma de caminhoneiro, deixando o braço apoiado na janela. Há, depois de um tempo, vi que Pedro e Bino, os caminhoneiros do Carga Pesada, devem usar protetor solar fator 800. Meu braço ficou com um p... vergão vermelho, demarcado bem pela altura da camiseta. Só depois, sem o ventinho da estrada, fui perceber que doía pacas.

 

 

 

Imaginando que teria de usar apenas camisetas vermelhas nos dias que se seguiriam para combinar com o pimentão no braço – e depois de bater um rangão no shopping e dar aquela “fiscalizada” no Carrefour atrás de latas, sem sucesso; achei, pasme, passarinhos pousados nas caixas de cerveja -, encontramos o Marcelo Carneiro, dono da Colorado.

 

Antes de apresentar a nova Índia, ele nos serviu a Áppia, a cerveja de trigo com mel da Colorado. Achei-a bem interessante, com mais gosto de mel que a versão que tinha provado engarrafada (mas aquela não tinha sido pasteurizada e, provavelmente, havia se modificado com o passar dos dias). Hora, então, de trocar de barril, passando para a nova cerveja. Tinha tomado a Índia antiga uns dias antes, no Anhanguera, e gostado bastante, principalmente pelo aroma e gosto de lúpulo, além do amargor da cerveja.

 

A nova versão é ainda mais interessante, porque, além do lúpulo – reforçado por um processo de dry hopping, que é a adição do ingrediente uma segunda vez, no processo de maturação -, a cerveja ganhou aroma de malte e algo de adocicado. No gosto, ficou uma mistura de amargo do lúpulo e doce da rapadura, que também gostei.

 

Depois de um tempo, juntou-se a nós um senhor francês, convidado do Marcelo, que permitiu treinar meu tosco “Salut! Comment allez vous? Ainda me arrisquei a tentar descrever uma cerveja francesa feita com água do mar, mas o coitado não entendeu patavinas. Resolvi parar por aí mesmo, antes que eu mencionasse alguma bobagem sobre Clermont-Ferrand, local que aparecia em onze de cada dez exercícios das poucas aulas que tive de francês.

 

No meio do papo, apareceu o José Virgílio, que produz a cerveja Pratinha, com dois barris na mão.

(CONTINUA...)



Escrito por Bob às 12h24
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