Latinhas do Bob
  

OPERAÇÃO GAMBRINUS, ANEXOS E APENSOS:

BONUS TRACKS

Chopp Stadt saindo do tanque: cuidado com a camisa. Na parede, o elefantinho cor-de-rosa da DeliriumTremens: inspiração para a Delirius? Se ele sair do pôster, pare de beber.

Interior da fábrica; do lado de fora, igreja, influências gregas e profissões milenares

Yellow Submarine: pela escotilha, a cerveja da Stadt em fase de maturação. O caminhão de entrega estacionado na porta da fábrica é referência. Não vá entrar direto nele com o carro 

Tanques na Platz: não é avião nem cinema, mas desligue o celular na entrada. Caso contrário, não atenda; sua estadia pode ser encurtada com chamado de volta ao trabalho.



Escrito por Bob às 12h03
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OPERAÇÃO GAMBRINUS, PARTE 4:

BUSCA E APREENSÃO

Ah, nada como uma espera interminável em uma sala de concessionária com internet para atualizar este humilde diário. Pois então, vou usar este post para acrescentar algumas histórias das quais havia me esquecido nas inserções anteriores. A primeira delas é o porquê do nome Operação Gambrinus. Jan Primus, duque de Brabant, que viveu no Século 13, ou Gambrino, teria recebido dos cervejeiros de Bruxelas o título de patrono e, até hoje, é considerado padroeiro dos apreciadores e produtores da nobre bebida (alguns chegam a tratá-lo como santo). Logo, resolvi pegar carona na onda de uma certa polícia federal, que também abusa da criatividade ao batizar suas operações: Têmis, a deusa da Justiça, Hurricane (que virou 'Rui-ri-quem" na livre interpretação de alguns participantes, e, depois, simplesmente Furacão) e por aí vai.

Seguindo a lógica policial nas operações, depois de realizar diversas diligências - às cervejarias locais - e captar informações sobre elas em escutas telefônicas ou ambientais autorizadas - bate-papo com os cervejeiros, regados a chope ou não -, passei à etapa de busca e apreensão de cervejas e latinhas que só fossem encontrados no mercado local. O resultado, porém, foi frustrante: só duas latinhas de refrigerante e uma de suco. Havia alguns refrigerantes em garrafas de plástico, mas sigo a lógica do "pet, para mim, é cachorro, gato e periquito; para a coleção, só lata ou vidro". Para complicar mais, as três latinhas aí de cima são feitas no Estado de São Paulo.

O Guaraná Mineiro e a Zap Cola eu achei numa barraquinha de camelô, na frente da qual eu passava todo dia ao ir para a PF. Aliás, uma das coisas interessantes de Brasília é a possibilidade de cortar caminho por dentro de vários estacionamentos de prédios públicos, particulares e conjuntos comerciais. Quando pedi as latinhas, o ilustre comerciante ambulante perguntou se eu não preferia pet; decidi explicar, então, que era para coleção. "Mas você não vai tomar essa Zap Cola, não é?", aconselhou. Tomei. E devia ter escutado o cara: é horrível, com notas muito pronunciadas de Pinho Sol (rsrsrsrsrs). O guaraná é bom, tomei alguns durante a estadia no Planalto Central, lembra bastante tubaína. O suquinho é mais ou menos, mas, como estava na geladeira do hotel e eu não tinha, carreguei também.

Deixei a sacolinha com as latas num canto da sala da PF, já imaginando que, se alguém visse, ia achar que era bomba e destruir com um canhão d'água. Na hora de ir embora, ao buscá-las, acabei explicando a nobres colegas brasilienses que também estavam de plantão - e a um integrante da PF - sobre a coleção. E descobri que o nobre federal tem um projeto sobre refrigerantes extremamente interessante, sobre o qual não vou revelar mais detalhes por risco de vazamento de informações sob sigilo processual (rsrsrsrsrs). Mas espero que dê certo.

Nesse dia das latinhas, que também foi o da ida à Dom Bosco (leia nos posts abaixo), fui informado de que os inocentes guardanapos que são oferecidos para conter um pouco do óleo e do molho de tomate das pizzas, por serem bastante finos e lembrarem papel de seda, também seriam usados, digamos assim, como "cúmplices" de atos de alteração de realidade. Pelo menos o sujeito que tiver essas pérfidas intenções já pode levar a pizza para matar a larica depois. 

Na véspera de voltar a  São Paulo, também fiz uma diligência a um dos bares brasilienses especializados em cerveja, o Brauhaus (CLS 303, Bloco A, loja 31, 0xx61 3224-3225). O ambiente é legal, a carta de cervejas é interessante - vai desde nacionais, como Eisenbahn, Baden Baden e Schmitt a belgas famosas, como a Chimay, passando por uruguaias, alemãs e afins -, mas faltam alguns ajustes. Eu e a Sônia, nobre amiga e colega de trabalho, pedimos quatro Eisenbahns diferentes: Rauchbier, Strong Golden Ale, Pale Ale e Weizenbock. Todas vieram em copos de Stella Artois, o que prejudica apresentação e até a qualidade das cervejas. Falta dar uma passadinha na fábrica de vidros. Mas dá para corrigir. Logo ao lado da entrada, à direita, há uma "sala Heineken", com várias garrafas da cerveja na parede, além de outros itens relacionados ao produto. Confesso que não consegui conhecer o outro bar cervejeiro de Brasília, o pub O'Rilley (SQS 409 Bloco C, loja 36, 0xx61 3244-0222), do mesmo dono da Stadt. Mas, pelo que pesquisei, também tem uma carta boa, com belgas, inglesas e a própria Stadt.

No sabadão, além do já comentado almoço no Beirute, aproveitei a "saideira" de Brasília no próprio Aeroporto, onde o restaurante Bombocado vende o chopp da Stadt. Para minha sorte, o meu Stadt foi o último do barril - na verdade, o penúltimo, mas o derradeiro, vendido a um colega, saiu com tanta espuma que não sei se contava rsrsrs. A cerveja local foi providencial, porque, no avião, só serviam Sol e Xingu (e depois não sabem porque tem gente que surta e quer beijar o Pelé na boca em pleno vôo rsrsrsrs). Apesar da correria, sinto até saudades da cidade, que só conheci agora. Mas, do jeito que a coisa vai com operação atrás de operação, não duvido que volte para lá logo, logo. A cerveja, pelo menos, está garantida.



Escrito por Bob às 12h12
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OPERAÇÃO GAMBRINUS, PARTE 3:

CERVEJARIA PLATZ (BRA, CHOPP)

A parte mais engraçada da estadia em Brasília, porém, foi a diferença cultural em relação a São Paulo. Percebi isso nas expressões mais corriqueiras. Primeiro, quando uma amiga do trabalho, a Sônia, tentou classificar um elemento lá de Brasília de “filhote de...”. Eu completei: “cruz-credo”. E ela começou a gargalhas sem parar, porque disse que nunca tinha ouvido a expressão “filhote de cruz-credo”. Em outra situação, numa espera angustiante por novidades sobre um certo ministro de um certo tribunal acusado de receber umas certas propinas, ao conversar com outra colega sobre a situação do fulano, disse que ele “teria de cortar um dobrado”. Alguns segundos depois de concordar, caiu a ficha dela: “Mas isso é bom ou ruim?” Rsrsrs E isso porque eu nem entrei no módulo avançado das besteiras a granel. Mas também aprendi uma que achei engraçada: “roubança”, que rima com poupança ou bonança. Achei mais sonora que “roubalheira”.

 

Outra diferença grande: a cidade parece uma sucursal do Rio de Janeiro quando o assunto é futebol. E eu que achava que só Juiz de Fora era reduto de cariocas. Que nada: os principais jogos transmitidos pela tevê eram do campeonato carioca. O leitor há de convir que, para um paulista(no) acostumado à rivalidade das equipes de cá com os clubes do Rio, é uma tortura, até porque o futebol dos caras vem descendo a ladeira desde 1995, quando o Botafogo foi campeão brasileiro (tudo bem que uma final Flamengo e Botafogo é mais emocionante que Santos e São Caetano). As pessoas que conheci lá torcem majoritariamente para times do Rio. Em uma quadra comercial da cidade, por exemplo, é possível encontrar lojas oficiais de Flamengo, Fluminense e Botafogo. Vai ver se tem uma quadra com Corinthians, Palmeiras e São Paulo.

 

Outra coisa interessante é a distância de conhecimento sobre os fatos do dia-a-dia entre São Paulo e Brasília. Em outras palavras: não é muito ilustrativo comparar situações como a administração de um certo prefeito com a de um certo governador de uma certa unidade da federação em que não há prefeito, embora ambos sejam do mesmo partido. Mas acho que isso é normal em qualquer parte do mundo; salvo raras exceções, ninguém dá muita bola mesmo para o que ocorre a centenas (ou milhares) de quilômetros de distância. Agora, quando os dois pontos pertencem à mesma empresa, é divertido passar para o outro lado da trincheira. Explico: em São Paulo, sempre ficava p... da vida com o pessoal de Brasília. “Pô, esses caras não vão mandar logo o material? Que embaço”. Uma vez em Brasília, passei a ficar p... com o pessoal de São Paulo cobrando a droga do material sem parar. “Pô, esses caras não sabem que as coisas demoram a acontecer aqui?” Pelo menos agora já sei como as coisas funcionam nas duas pontas. Mas acho que continuarei a ficar p... se o material demorar (rsrsrsrsrs).

 

Esse, digamos assim, “ruído de comunicação” me deixou bem p... das vida no dia em que fui conhecer a Platz. Sabadão, final de tarde e, esperava eu, de expediente. A cervejaria fica a menos de uma quadra da sucursal da empresa. Lá fui eu conhecer o local, com aquele sol de final de tarde. A Platz, que abriga a cervejaria, um bar e também é casa de shows, abriu em 2006 e fica em um mega-galpão, dividindo espaço com outras empresas e uma concessionária de carros. A produção dos caras, hoje, varia entre 11 mil e 13 mil litros mensais e, segundo dizem, está no limite do consumo.

 

O carro-chefe, como não poderia deixar de ser, é a cerveja pilsen, não-filtrada. Também é produzido um chope escuro, com corante caramelo. Pessoalmente, não gosto da idéia: acho que a cerveja perde muito com a adição do caramelo. Prefiro cervejas escurar à base de malte torrado, achocolatado ou o que seja, mas seguindo a Lei de Pureza. Mas compreendo que há um público que gosta e, principalmente, que, com a produção no limite, é mais viável economicamente fazer tudo pilsen e “mudar” a cerveja com corante do que ocupar um tanque com um tipo diferente, que pode sair com menos freqüência que o pilsen. O fato de entender que uma cervejaria tem de se sustentar economicamente, porém, não faz com que eu goste dessas soluções artificiais para a cerveja escura. Acho que o objetivo deve ser sempre oferecer um produto de alta qualidade, senão, não vai haver muita diferença entre as cervejas industriais e as feitas pelas micros. Se é preciso apelar a soluções “comerciais” no início, paciência; mas isso não pode viar uma “muleta” eterna.

 

Enfim, voltando ao fato, estava eu tranqüilamente provando as cervejas e conhecendo a cervejaria quando toca o celular. Pensei em não atender, mas, sabe como é, pode ser alguma emergência. Era um colega de São Paulo, perguntando se eu poderia checar uma informação que havia sido divulgada no começo do dia, porque queria utilizá-la e tal... Lá se ia a tarde. Para melhorar o humor, tomei uma saideira e voltei à sucursal com aquela felicidade. A plantonista até estranhou: “Ué, já de volta?” Ainda soquei uns chicletes na boca para não ficar com bafo de cerveja no meio do trabalho. O processo de maletar pessoas e checar informações levou mais ou menos uma hora.

 

Mas a vontade de voltar à cervejaria já tinha passado. Sem muito a fazer, voltei para o hotel para acompanhar um futiba pela tevê. E não, antes que alguém pense, fiz questão de não aprender nada nem ver nenhuma moral da história em se colocar nas situações dos outros. Sempre odiei o Geninho, aquele ser perobo que aparecia no final dos episódios da She-Ra com lições de moral absolutamente abjetas. Pra falar a verdade, sempre fui mais fã do Pica-pau e seus ensinamentos nada construtivos, ainda mais na fase das pernas listradas. (CONTINUA)



Escrito por Bob às 12h20
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