Latinhas do Bob
  

Segundo dia: a ver navios. No terceiro, gran finale

Há! Quem me dera que o "ver navios" fosse aí em cima.

Penha (SC) no começo do dia, em 2006

 Pois é, o segundo dia da Brasil Brau, para mim, não foi. Graças a um certo senador da República que seguiu à risca o “relaxa e goza” e a outro que insiste em ignorar os horários de fechamento para passar mal (vejam vocês que falta de sensibilidade...dele, claro), fiquei “ancorado” na redação. Essa dualidade cerveja/política ainda vai acabar me irritando um dia. Enfim, não adianta chorar sobre a cerveja não-tomada. Bola pra frente.

 

No terceiro dia, depois de catar um material nos confins da Grande São Paulo, cheguei até com uma certa antecedência à feira, o que me deu tempo de almoçar, coisa rara esta semana. À uma em ponto, lá estava eu batendo cartão na entrada. Dessa vez, decidi priorizar as cervejas do pessoal da Acerva, por dois motivos. O primeiro é que eu já conhecia algumas delas, do Botto e do Fraga, e os dois têm produções de altíssimo nível. A segunda razão é que eu queria provar as cervejas do Ricardo Rosa, da Cervejarte, muito elogiadas pelo nobre colega Edu Passarelli. Além disso, dêem só uma olhada na variedade de cervejas que eles levaram:

 

Alguém conseguiu tomar todo o cardápio?

 

Comecei com uma Botto Bier Fluminense, uma Belgian Ale. De cor marrom-clara, ela tem um aroma marcante de especiarias (cravo principalmente, graças em grande parte ao fermento trapista usado), além de um pouco de lúpulo. No gosto, malte, as mesmas especiarias, lúpulo bem demarcado, além de um fundo alcoólico também marcante. Enfim, me agradou bastante. Em seguida, tomei uma La Trapaça, a dubbel da Cervejarte, também muito boa (mas acho que vou ter de tomá-la de novo com mais calma, para uma boa análise, porque, a essa altura, já tinha bebido também umas pale ales da Bierland, e isso interfere bem no resultado final).

 

Esqueci de contar uma coisa importante no post anterior. Desde anteontem, eu fui “cicerone” de barril. Imagine a cena: você está em casa e o porteiro avisa que “chegou um barril cheio de chope”. Mas eu já estava avisado. O pessoal da BSG, de Porto Alegre, mandou 50 litros da pale ale deles para a feira. Me ofereci para “pajear” a cerveja. Ô, trabalho difícil. Nem preciso dizer que piadas sobre o esvaziamento precoce do recipiente foram as mais variadas (até agora acho que eles não perceberam o durepoxi embaixo do barril para compensar o peso da cerveja “extraviada” brincadeira, hein?) Resumindo, no começo da tarde de ontem, o barril chegou à feira e foi servido no stand da Acerva Carioca. Para não estragar o post da BSG no tour cervejeiro do RS, vou dizer, por ora, só que a pale ale deles faz a IPA da Colorado parecer doce. Muitas "saideiras" depois, saí de lá umas 17h30, direto para o trabalho (se fosse rádio, diria "Sobe Música da Escrava Isaura"...lerê, lerê, lerê-lerê-lerê...)

 

Fechando a conta

 

Com a feira acabada, algumas observações:

 

1) O número de micros participantes cresceu absurdamente. Em 2005, estavam lá Devassa e Falke. Este ano, contei 15 (Ashby, Atlas, Fass – não são bem micros, mas vá lá ­-, Falke, Backer, Bamberg, Colorado, Cevada Pura, Acerva Carioca - vários produtores caseiros agrupados -, cervejeiros do Peru, Opa Bier, Bierland, Schornstein, Eisenbahn e, “escondida” como Just Beer, a Universitária). Isso é muito bom e mostra o interesse dos produtores em expor seu produto. 

 

2) Apesar disso, em conversas rápidas com alguns donos de micros, ouvi que, em termos de matéria-prima e equipamentos, a feira estava regular. E, que, por outro lado, foi interessante a presença de muitos donos de bar que foram conferir eventuais clientes futuros.

 

3) Também de alguns produtores, ouvi que sobrou chope para caramba. Pensei de cara: “A próxima edição poderia ter a sexta-feira aberta ao público, com cobrança de ingresso, claro, que daria direito a dois ou três tíquetes de degustação, para também não virar um botecão”. Isso poderia estimular a cultura cervejeira e, de quebra, animar o pessoal a continuar trazendo quantidade e variedade para o evento. Idéias nesse sentido foram debatidas esse ano, mas não “viraram”.

 

4) O balanço final: a Brasil Brau deu uma mostra de que o mercado cervejeiro cresceu uma enormidade nos últimos dois anos. Da minha parte, apesar de achar que ainda são necessários alguns ajustes, faço figa para que, na próxima edição, esse interesse seja ainda maior, um “espetáculo do crescimento” cervejeiro, parafraseando um certo governante mais chegado aos destilados (olha o conselho do Brizola, hein?) 



Escrito por Bob às 01h05
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As novidades do primeiro dia

Bem amigos do Latinhas do Bob, mais uma vez interrompemos nossa (bagunçada) programação normal, agora para apresentar notícias da Brasil Brau, feira do setor cervejeiro que ocorre no espaço de exposições Frei Caneca, em São Paulo. Gostaria de ter postado as primeiras novidades ontem, mas um certo senador da República me impediu de fazê-lo. Enfim, curto e grosso, vamos às notas.

1) Minas Beer Fest: o Marco Falcone, da Falke Bier, cantou essa. As microcervejarias de Minas (sete, pela última conta), vão realizar um festival em novembro. A idéia é fazer algo similar a uma oktoberfest, mas um mês depois. "É para rebater a ressaca da Oktober", brincou Falcone. Além das produções das micros, devem estar presentes alguns homebrewers mineiros e também produtores de cachaça. Os detalhes ainda estão sendo definidos.Falando em Falke, a Brau é uma oportunidade rara de provar os três chopes deles (Pilsen, Red Baron, um bock, e Ouro Preto, dunkel), que só são vendidos em Minas. Colecionadores vão gostar do stand, onde há garrafas novas da Monasterium, versão pequena (uns 350mls) e gigante, cedidas pela Saint Gobain. Na prancheta, a Falke também tem planos de lançar uma vintage ale. Ainda de Minas, a mais nova micro de lá se chama Master Ale, e, pelo que comentou o Falcone, tem uma produção interessante.

 

2) Garrafas da Colorado: pois é, demorou mas chegaram (acima). A micro de Ribeirão está apresentando na feira sua linha engarrafada. São vasilhames de 600 ml, com rótulos sensacionais do Randy Mosher, o escritor/cervejeiro caseiro norte-americano. Reparem que o urso branco da Colorado foi trocado por um urso-de-óculos, numa versão mais sul-americana. Fora isso, as receitas já conhecidas: pilsen com mandioca, trigo com mel e IPA com rapadura, que também são servidos na versão chope.

3) Bamberg: a micro de Votorantim não conseguiu levar as garrafas, que devem ficar para agosto, mas está com sua linha completa de chopes, o que dá uma boa oportunidade de provar os quatro tipos sem pegar a estrada. Destaque para a Munique, muito boa, e a recém-lançada bock (acima), com 6,5%de álcool, avermelhada, bastante lupulada; o aroma, a princípio, é de malte caramelo, mas depois ganha um quê frutado. O gosto final é mais alcoólico.  

4) Bierland: trouxe de Blumenau sua Pale Ale, sobre a qual já falamos, na versão filtrada. Vale provar, assim como a weizen.

5) Catástrofe iminente: essa pipocou num papo de bastidores da Brau (não é difícil de imaginar a fonte, mas, já que foi um bate-papo, não vou identificar mesmo assim rsrsrsrs). Paece que os monges que fazem a Westvleteren ficaram, digamos assim, meio desgostosos com a 'banalização capitalista' de suas cervejas (mesmo com venda limitada, o pessoal compra e revende, o que, em tese, é proibido, e parece que rolaram umas brigas na porta do mosteiro, nas filas de compradores) e, literalmente, bateram com certas partes não-utilizadas por religiosos (também em tese) na mesa: se continuar essa balbúrdia, vão parar de fabricar a Westvleteren. A "fumaça branca" (ou preta, em caso de corte) desse ultimato deve sair em umas duas semanas. Tomara, aproveitando o trocadilho, que seja fogo de palha.

6) NÃO PERCA DE JEITO NENHUM: Todas as cervejas da Acerva Carioca (em particular as do Leonardo Botto, da Botto Bier, e cia), do pessoal da Glück, de Minas, e da BSG, de Porto Alegre. O melhor dia para a degustação é amanhã, quinta-feira.

7) Off-Brau: Ah, quase ia esquecendo. Na seqüência do encerramento do primeiro dia da feira, a Ambev fez um evento para 'lançar' (assumir a distribuição) de três marcas alemãs: Spaten, Löwenbräu e Franziskaner (acima). As três eram vendidas pela Bier&Wein. Com a mudança, devem ser distribuídas em uma rede mais ampla e por preços menores. A Spaten Münchner Hell e as três variedades de Franziskaner (Weiss, Kristallklar e Dunkel weizen) sairão a R$ 6,50 a garrafa de 500ml. A Löwenbräu virá em long necks de 330ml e custará R$ 3,90. Na BUW, a Franziskaner ia para os mercados com preço sugerido de R$ 9 a R$ 11 (Erdinger, Paulaner, Licher e Weihenstephan que se cuidem agora), a Spaten de 330ml e a Löwenbräu, entre R$ 4,50 e R$ 5,50. Bom para o consumidor. A parte triste: a Spaten Optimator, uma double bock que era trazida pela BUW, não está nos planos imediatos da Ambev, logo, é bom correr atrás dos últimos exemplares. Eu comprei dois e no momento torço para que eles se reproduzam em cativeiro; afinal, são espécies em extinção.

Falando em mudanças, a BUW, por sua vez, assumiu a distribuição da ex-belga Urthel. Digo ex porque a produção foi levada para Königshoeven, onde também é feita a La Trappe. Quatro variedades (Hop-it, Tripel, Quadrium e dark Ale) serão vendidas em garrafas de 750ml e sairão a 29 paus nos mercados, em média, e 40 paus nos bares. Outra novidade é que a Zillertal, do Uruguai, começou a ser vendida pelo Cervejasnet, do Rogério Costi (www.cervejasnet.com.br) a R$ 2,65 a long neck, sem contar o frete, claro.

E, no primeiro dia, foi o que consegui relatar/provar, diante do pouco tempo (saí às 16h) e da impossibilidade de fugir do trabalho (rs). Daqui a pouco, mais novidades.



Escrito por Bob às 12h38
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